Magazine Risco Zero nº28
magazine risco zero ARTIGO PROFISSIONAL RISCOS OCUPACIONAIS RESPIRATÓRIOS NA INDÚSTRIA MINEIRA A exploração mineira é uma atividade essencial que fornece recursos valiosos para o desenvolvimento global e para o crescimento económico. No entanto, caso não sejam aplicadas estratégias de mitigação e controlo, pode acarretar riscos significativos para a saúde dos trabalhadores, das comunidades vizinhas e do ambiente. Compreender e abordar os riscos para a saúde das atividades mineiras é crucial para promover o bem-estar dos trabalhadores e a sustentabilidade ambiental. Vários são as potenciais áreas da saúde humana afetadas por estes tipos de exposição e podem ser classificadas em vários domínios fundamentais, onde se destacam as doenças respiratórias (nomeadamente as Pneumoconioses e os tumores do pulmão e pleura, bem como o aumento do risco de Tuberculose), doenças induzidas por fatores de risco físico (ruído, vibração, ambiente térmico, radiação), biológico, riscos químico e psicossocial, entre outros. As lesões traumáticas continuam a ser um problema significativo e variam em gravidade. As causas comuns de lesões fatais incluem quedas de rochas, incêndios, explosões, acidentes com equipamentos móveis, quedas de altura, esmagamento e eletrocussão, entre outros (1). O ruído é quase omnipresente na atividade mineira. É gerado por perfurações, explosões, cortes, manuseamento de materiais, ventilação, trituração, transporte e processamento de minério. O controlo do ruído tem-se revelado difícil nas minas e a perda de audição induzida pelo ruído continua infelizmente a ser comum. As vibrações transmitidas a todo o corpo são normalmente sentidas quando se operam equipamentos móveis, tais como camiões e escavadoras. A síndroma de vibração mão-braço está também relacionada com a utilização de ferramentas vibratórias, como os berbequins e martelos pneumáticos (1). A exposição ao radão pode ser uma potencial fonte de doença oncológica pulmonar e deve ser combatida pela ventilação adequada dos espaços de trabalho. Dentro dos riscos biológicos que podem afetar mineiros em vários locais do Mundo, citam-se a malária, dengue, leptospirose, ancilostomíase e até infeção por legionela (1). As doenças pulmonares relacionadas coma exploraçãomineira são um grupo de doenças pulmonares crónicas evitáveis associadas a atividades extrativas realizadas à superfície ou abaixo da superfície da Terra. Estas doenças resultam não só das poeiras minerais geradas pela rutura dos estratos rochosos, mas tambémde outras exposições geradas pelo equipamento e pelos processos necessários para efetuar a extração mineira (2). As pneumoconioses são um conjunto de doenças ocupacionais provocadas pela inalação de poeiras minerais (quer sejam fibras ou partículas) e pela subsequente resposta pulmonar a esta inalação (3). Milhões de trabalhadores continuam a executar tarefas diárias com elevado risco para o desenvolvimento de pneumoconioses, especialmente silicose, asbestose e pneumoconiose do trabalhador do carvão (Coal Workers’ Pneumoconiosis). A associação destas exposições com outras doenças, nomeadamente, neoplasias da pleura e do pulmão, tuberculose e doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), causam habitualmente um elevado nível de incapacidade (3). As características e clássicas formas fibróticas da pneumoconiose dos trabalhadores do carvão e da silicose encontram-se extensamente descritas na literatura. Incluem coleções focais de partículas de pó inalado e reticulina à volta das pequenas vias respiratórias (máculas), lesões nodulares fibróticas com colagénio irregularmente disposto (pó de carvão e nódulos de poeira mista), nódulos com colagénio disposto concentricamente (nódulos silicóticos), e lesões de brose maciça iguais ou superiores a 1 cm na maior dimensão ( brose maciça progressiva) (4). A apresentação clínica da silicose está dependente da Prof. Doutor António Jorge Ferreira
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