Magazine Risco Zero nº28

magazine risco zero A. Costa Tavares × Técnico Superior de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho × Quadro Superior da Câmara Municipal de Cascais - Portugal × Formador, docente e consultor em matéria de SST reintegração socioprofissional do trabalhador sinistrado e/ ou doente; • Otimização de recursos: uma cultura de segurança otimiza o uso dos recursos materiais, financeiros, logísticos e humanos da organização, evitando paragens, perdas, desperdícios e débil imagem para clientes e fornecedores; Pergunta: como implementar uma cultura de segurança, higiene e saúde na organização? Existem inúmeras estratégias, nós optamos por mencionar 6 que consideramos relevantes para os objetivos propostos: 1º - Que tudo, tem de haver vontade da gestão de topo no sentido de envolver níveis hierárquicos e setores da organização, desde a alta direção, passando pelas chefias intermédias (essenciais na difusão e na receção de informação) até aos trabalhadores da linha de montagem, da frente de serviço ou da extração do minério; 2º - Deve ser instituído um sistema de liderança pelo exemplo, ou seja, os dirigentes, chefias, encarregados e coordenadores devem dar o exemplo e incentivar os seus trabalhadores a adotarem práticas seguras, reconhecendo e recompensando os comportamentos positivos e corrigindo os negativos, sem estarem a arranjar culpados numa ótica de cultura reativa; 3º - Deve ser criado um mecanismo de comunicação clara e efetiva: a organização deve manter um canal de comunicação aberto e transparente com os trabalhadores e seus representantes e/ou agentes sindicais, informando-os sobre as questões de segurança, higiene e saúde, ouvindo as suas sugestões e reclamações, e estimulando a troca de experiências e informações entre todos. É na sinergia de todos que floresce a comunicação, a informação saudável e o engajamento; 4º - Deve a organização promover e estimular a formação contínua (seja em SST, seja na área comportamental e técnica) e a capacitação dos trabalhadores: a organização deve proporcionar ações formativas (gratuitas), palestras, workshops e outras atividades que visem aperfeiçoar os conhecimentos e as habilidades dos trabalhadores em relação à segurança, higiene e saúde, bem como conscientizá-las diagnosticando os perigos, conhecendo e mitigando os riscos profissionais e aplicar as necessárias medidas de prevenção e de proteção; 5º - Deve haver nas várias etapas da gestão de riscos profissionais, a monitorização e a avaliação de cariz contínuo: a organização deve acompanhar e medir os resultados das ações de segurança, identificando os pontos fortes e fracos, as oportunidades de melhoria e as necessidades de correção face às inconformidades detetadas pelos sues técnicos de segurança no trabalho e/ou agentes externos no âmbito dos dispositivos de monitorização e medição; 6º - Deve a organização encarar esta temática da segurança, higiene e saúde no trabalho como um investimento com retorno no capital preventivo, adquirindo dentro das suas possibilidades, equipamentos de proteção coletiva (fundamentalmente estes) e de proteção individual, auscultando os seus trabalhadores, representantes, sindicatos e fornecedores. Este envolvimento enriquece a informação e diminui a despesa e médio e longo prazo. Não há bela sem senão… A atividade em causa é perigosa. Mata e estropia infelizmente muitos trabalhadores, deixando por detrás desses infortúnios, muitas famílias que têm de lidar com a dor, com o sofrimento… Com a ausência. Falamos neste artigo de cultura de segurança. Pois bem, não procuremos culpados, procuremos soluções em conjunto com os trabalhadores. São pessoas, são gente, são carne e osso como todos os humanos do planeta. Vamos proporcionar- lhes dignidade e respeito. Aliás, é um dever ético e moral.

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