Magazine Risco Zero nº27

magazine risco zero e melhorem a qualidade de vida dos trabalhadores. Por exemplo, a instituição pode oferecer programas de promoção da saúde, como atividades físicas, sessões de relaxamento, orientação sobre nutrição saudável, técnicas de gestão do stress, soluções ergonómicas, entre tantas outras estratégias. Também é importante incentivar um equilíbrio saudável entre a vida profissional, pessoal e familiar, por meio de políticas que promovam horários flexíveis, pausas regulares, possibilidade de teletrabalho e outras dispensas. Apesar dos esforços de prevenção, os problemas de saúde mental podem ocorrer no ambiente de trabalho. Como tal, é importante que as instituições levem a cabo processos rigorosos de avaliação e monitorização dos níveis de bem- estar dos seus trabalhadores. Apenas com recurso a um cuidado processo de diagnóstico organizacional é possível fundamentar a tomada de decisão no que concerne à elaboração de políticas e práticas promotoras de bem-estar, independentemente do seu caráter preventivo ou corretivo. É, no fundo, com recurso ao diagnóstico organizacional que se pode, também, identificar e explorar as áreas de melhoria, garantindo que as ações adotadas pela instituição vão ao encontro das preocupações e necessidades das suas pessoas e das suas equipas. Naturalmente, a condução de um processo de diagnóstico organizacional pressupõe a disponibilidade da instituição para agir sobre os resultados obtidos. Portanto, é fundamental que as instituições de ensino superior estejam preparadas para intervir adequadamente quando necessário. A disponibilização de recursos de suporte e intervenção é essencial nesse sentido. Uma estratégia de intervenção importante é a disponibilidade de serviços de psicologia dentro da instituição. Profissionais qualificados na área da saúde mental podem oferecer intervenções científicas e validadas para lidar com problemas de saúde mental, bem como para apoiar os processos de desenvolvimento pessoal, grupal e organizacional. Esses serviços devem ser facilmente acessíveis a toda a comunidade académica, por meio de agendamentos flexíveis e confidencialidade adequada. A criação de uma cultura de apoio e acolhimento é fundamental para facilitar a procura de ajuda e reduzir o estigma associado aos problemas de saúde mental. A este respeito, importa falar do papel desempenhado pelos líderes institucionais, que devem estar sensibilizados, informados e comprometidos em promover um ambiente de trabalho onde os trabalhadores se sintam confortáveis em partilhar os seus desafios e procurar ajuda sempre que necessário. No fundo, e apesar de a entrada “em força” do tema da saúde mental ser recente no mundo organizacional, a verdade é que falar abertamente sobre ele é indispensável para a desconstrução do estigma. As instituições são, de facto, agentesimportanteseresponsáveispelagarantiadecondições de trabalho digno aos seus trabalhadores, devendo evitar a todo o custo qualquer ação que possa causar dano ao nível do bem-estar psicológico dos indivíduos. Esta preocupação deve, assim, estar enraizada na cultura organizacional da instituição, de tal forma que seja uma preocupação de todos, que faça parte do quotidiano de cada um e que resulte em ações contínuas, concertadas e constantes. A promoção da saúde mental no ambiente de trabalho em instituições de ensino superior é de extrema importância para garantirobem-estardostrabalhadoreseobomfuncionamento da instituição como um todo. A implementação de estratégias de avaliação, prevenção e intervenção é fundamental nesse processo. A sensibilização e a psicoeducação, a criação de um ambiente de trabalho promotor de bem-estar, a disponibilização de recursos de apoio e intervenção e a promoção de uma cultura de apoio são aspetos-chave para garantir a saúde mental dos trabalhadores em instituições de ensino superior. Ao adotar essas estratégias, é possível criar um ambiente académico mais saudável, produtivo e acolhedor. Esta é uma responsabilidade de todos e de cada um de nós. Investir na saúde mental dos trabalhadores não beneficia apenasos indivíduos,mas tambémpode levaraumambiente de trabalho mais produtivo, positivo e saudável, sendo uma fonte de vantagem competitiva para as instituições. “O ‘ambiente de trabalho saudável’ é aquele em que os trabalhadores e os gestores/empregadores colaboram conjuntamente no processo de melhoria contínua quanto à proteção e promoção da saúde e bem-estar dos trabalhadores e garantem a sua segurança, em prol da sustentabilidade do trabalho.”

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