Magazine Risco Zero nº27

magazine risco zero ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO - UNIVERSIDADE DE COIMBRA ESTRATÉGIAS PARA PREVENÇÃO E INTERVENÇÃO EM INSTITUIÇÕES DE ENSINO A saúde mental é crucial no bem-estar geral das pessoas, e o ambiente de trabalho desempenha um papel significativo na sua promoção ou comprometimento. Nas instituições de ensino superior, onde docentes, investigadores, colaboradores do corpo técnico, bolseiros e estudantes passam a maior parte do seu tempo, é fundamental adotar estratégias eficazes para a prevenção e intervenção em saúde mental. O conceito de saúde mental, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (2014), diz respeito a “um estado de bem- estar no qual cada indivíduo realiza o seu próprio potencial, é capaz de lidar com o stress normal do quotidiano, pode trabalhar de maneira produtiva e é capaz de contribuir para a sua comunidade”. Sabemos que os fatores que impactam a saúde mental de um indivíduo podem ter diversas origens, e podem resultar de uma complexidade de fatores, desde genéticos, socias e económicos (OCDE, 2018). Os dados sobre o aumento do stress, depressão, ansiedade, burnout e outras perturbações que acarretam um sofrimento significativo são alarmantes. Sabemos que o trabalho e a rotina profissional, apesar da sua importância para o próprio indivíduo, podem também assumir-se como um fator facilitador do desenvolvimento de vários problemas de saúde psicológica, que condicionam o bem-estar dos trabalhadores. Há ainda outros custos associados, que se revelam elevados, e podem ser de origem direta, em despesas diretas de saúde, ou deorigemindireta, que representaamaior quantidade, através da diminuição da performance e dos níveis de produtividade. Ou seja, se o trabalho pode, por um lado, assumir a sua importância na vida do indivíduo (seja pela remuneração, pela realização profissional, pelo sentido de propósito, …), a verdade é que, por outro, pode ser um fator determinante na diminuição dos níveis de bem-estar e saúde psicológica. Não raras vezes, esta última hipótese verifica-se. Estudos recentes têm destacado a prevalência de perturbações mentais na Europa, o que constitui um verdadeiro desafio em termos de saúde pública – tanto mais que se assumem como uma das principais causas de incapacidade, logo após as doenças cardiovasculares e problemas oncológicos. Como tal, é imperativo que o tema da saúde mental no trabalho esteja de forma séria e consistente em cima da mesa. Para muitas pessoas, o trabalho é uma parte fundamental das suas vidas, e assume um papel distintivo na própria identidade de grande parte dos indivíduos. Como referimos, além de ser, por norma, a sua forma de sustento, o trabalho é onde as pessoas costumampassar grande parte do seu tempo, e, em muitos casos, é onde acabam por estabelecer relações de amizade e encontrar realização e propósito. No entanto, num cenário menos saudável, sabe-se que o local de trabalho pode assumir-se como um ambiente tóxico, que pode ter um impacto negativo dos níveis de bem-estar dos trabalhadores. Não é arriscado afirmar que uma instituição que se preocupe em promover um local de trabalho saudável, garante o bem- estar geral dos seus trabalhadores. É neste contexto que a preservação da saúde mental é um assunto de extrema importância nos dias atuais. É premente proteger a saúde mental de cada um, para uma vida mais feliz e produtiva no trabalho. Aliás, a saúde mental no trabalho, além de essencial para o bem-estar dos trabalhadores, é igualmente indispensável para o bom funcionamento das instituições. Umambiente de trabalho saudável e favorável à saúde mental contribui para a produtividade, a satisfação no trabalho, a retenção de talentos e o sucesso geral da instituição. Por outro lado, problemas de saúde psicológica podem levar a um aumento do absentismo, da rotatividade, à diminuição da motivação, do comprometimento, da produtividade e ao surgimento de conflitos interpessoais. Nas instituições de ensino superior, os docentes, investigadores, colaboradores do corpo técnico, bolseiros e estudantes estão sujeitos a uma série de fatores que podem afetar a sua saúde mental. A elevada carga de trabalho, a pressão por resultados, a competitividade insustentável e os conflitos interpessoais são apenas alguns exemplos desses desafios. Além disso, a transição para a vida académica, especialmente para os estudantes que se mudam para outras cidades ou países, pode ser stressante e impactar negativamente a sua saúde mental. Assim, e sabendo-se de antemão os contextos de risco que podem assolar o bem-estar psicológico da comunidade universitária, as instituições de ensino superior podem e Dra. Maria Helena Matos e Dra. Joana Filipa Lopes

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