Magazine Risco Zero nº26

/7 ENTREVISTA Dra. Edgarda Neto, face aos desafios que o Mundo de trabalho enfrenta, como descreve a importância que a formação profissional representa na qualidade do trabalho e no desenvolvimento do País? Em 1975 a OIT-Organização Internacional do Trabalho (OIT), definiu “Formação Profissional como atividade direccionada para identificar e desenvolver capacidades humanas para uma vida activa, satisfatória e produtiva. Aqueles que recebem formação profissional devem ser capazes de compreender e, individual e colectivamente, influenciar as condições de trabalho e o contexto social”. Para além disso, acrescento, a formação profissional deve responder às necessidades dos Jovens adultos ao longo da vida, bem como dos trabalhadores no local de trabalho sectores da economia a todos os níveis de qualificação e de responsabilidade. Outrossim a formação profissional é, igualmente um instrumento de combate à fome, à pobreza e à exclusão social, pois, proporciona ao cidadão a aquisição de habilidades necessárias ao desempenho de um trabalho decente e remunerado, contribuindo para a renda das famílias, promovendo desta forma o desenvolvimento sócio-económico do País. Apesar do conceito ter sido definido pela OIT, na década de 70, mantém-se bastante actualizado nos nossos dias, perante as novas exigências dos profissionais e das desafios de um mercado de trabalho cada vez mais dinâmico e num contexto cada vez mais exigente no qual a inovação, necessidade de adaptação à mudança e competitividade são uma constante. Todos estes factores, concorrem para a melhoria da qualidade do trabalho nas empresas e instituições bem como para o desenvolvimento do País. Qual é a importância das empresas e instituições investirem no capital humano? Tendo em consideração que o capital humano é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes de um profissional que favorecem a realização de trabalho de modo a produzir um valor económico, gerando melhorias em processos e procedimentos, com vista à oferta de um produto e/ ou serviço de qualidade. Pode-se facilmente concluir que um forte investimento no capital humano é sinónimo de uma boa performance em termos de resultados que essas organizações e/ou instituições obterão como resultado final. A competitividade é um dos resultados gerados pelo investimento no capital humano, bem como a produtividade, a eficácia e eficiência, com forte impacto no desenvolvimento sócio-económico do País. Seria extenuante elencarmos todas as vantagens de investimento no capital humano, mas considero com certeza que algumas serão essenciais, nomeadamente: • Aquisição e/ou aprimoramento de competências, melhores e mais oportunidades de ingresso e progressão na carreira, melhor e mais rápida adaptação de resposta aos desafios profissionais; • Actualização contínua das competências dos profissionais, permite à empresa ou instituição ganhos em termos de aumento da produtividade, redução de custos e capacidade de inovação. Para que ocorra esse investimento no capital humano, há que considerá-lo como uma prioridade e ser visto como um investimento estratégico a médio e longo prazos das organizações e manter-se no topo das agendas dos seus líderes. Neste contexto, o Executivo Angolano definiu no PlanoNacional deFormação eQualificações- PNFQ, as linhas orientadoras, objectivos e metas para o desenvolvimento do capital humano do País, promovendo desta forma uma melhoria das qualificações dos angolanos e prevendo uma preparação para a inserção no mercado de trabalho dando assim, por esta via, uma resposta de forma sustentada às necessidades de mão-de-obra qualificada. Por outro lado, o investimento no capital humano de forma sustentada promove uma melhoria das qualificações dos quadros angolanos, alinhada às qualificações elaboradas e disponibilizadas pelo Instituto Nacional de Qualificações, no âmbito da implementação do Sistema Nacional de Qualificações, bem como irá permitir responder às metas preconizadas na Agenda 2063 da União Africana, aos objectivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas, bem como outros compromissos e projectos externos onde Angola é Estado-Membro. DRA. EDGARDA NETO Directora Geral do Instituto Nacional de Qualificações

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