Magazine Risco Zero nº25
magazine risco zero em apoio mecânico causando também problemas músculo- esqueléticos e outras deformações osteoarticulares na sua maioria com sequelas permanentes. • Outra situação é o uso de EPI (equipamentos de proteção individual). Se os houver, e na maioria destes quadros sociológicos que temos vindo a abordar temos as nossas dúvidas, pois os equipamentos não são apropriados do ponto de vista antropométrico podendo também “ajudar” numa diminuição da destreza fina e provocarem sinistros. • No trabalho rural, além de estarem sujeitos a picos de calor e insolações, não têm o mínimo de proteção contra determinados animais e outros seres microbiológicos existentes sujeitando-se a infeções biológicas, mordidelas e lesões por contato com animais e plantas. • A nível das pressões psicológicas, assistimos a um role de responsabilização na maioria das vezes invertida, pois muitas são as crianças e jovens que tutelam a organização económica da casa emvez de seremos seus pais, desinserido do modelo sociofamiliar normal, dificultando igualmente a sua inserção em grupos de referência de acordo com a faixa etária ocasionando fenómenos de exclusão social. Para além deste fenómeno, o fato das crianças e jovens trabalharem inúmeras horas sem condições e sem expetativas futuras e com parcos rendimentos, criam- se desequilíbrios emocionais e de perda de autoestima, levando a comportamentos patológicos condicionando a entrada casuística no mundo criminal como forma de obter mais rendimento e também ao surgimento de doenças psicológicas como o vício do jogo, do álcool, do tabaco e das drogas. • A nível social, relevamos a exclusão por parte de outros grupos populacionais levando comque este tipo de crianças e jovens se sintam à margemda sociedade, uns pelo estigma de terem sofrido violações, assédios, violência, outros porque não vislumbram um futuro normal enveredando por outros caminhos como acima referimos e perdendo-se do enquadramento societal equilibrado criando um fosso de desigualdade social e económica que não acompanhado pelas instâncias devidas se reforçará negativamente na fase pós adolescente e adulta. Não nos esqueçamos que o trabalho de crianças e jovens é igualmente umproblema de saúde pública, uma vez que, ficam expostas as crianças e os adolescentes ao manuseamento de equipamentos perigosos, e a terem contato diário com os riscos inerentes a esse manuseamento e consequentemente a caracterizarem-se por seremuma população por excelência na adoçãode lesões, deformidades físicas edoenças ocupacionais (porque estão a trabalhar!) afetando irremediavelmente o seu desenvolvimento como criança, como jovem e como adulto. Falarmos de trabalho infantil é falarmos da privação da infância, é falarmos da perda de significado como ser humano, é falarmos de indignidade social, é falarmos da perda de direitos, garantias e liberdades… é falarmos de ausência de futuro. Pensemos seriamente nisso… É a brincar no seu percurso temporal que a criança reinventa o seu mundo, aprende a socializar-se e a partilhar. Aprende a viver! Bem-haja A. Costa Tavares × Técnico Superior de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho × Quadro Superior da Câmara Municipal de Cascais - Portugal × Formador, docente e consultor em matéria de SST
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