Magazine Risco Zero nº24
/27 ocupacionais, por meio da medicina do trânsito, que visa garantir a aptidão clínica do motorista, do ponto de vista físico e mental, como audiologia, optometria, força muscular, eventuais doenças neurológicas, stress, ansiedade e depressão. Falando das doenças mentais, há ainda grande preocupação, na medida em que o risco cresce não apenas com potencial de dano ou agravamento para o motorista, mas também porque pode prejudicar outros, caso o motorista decida provocar um acidente na tentativa de tirar a sua vida, como já aconteceu no caso de pilotos de grandes companhias aéreas. Outra grande preocupção, prende-se coma fadiga crónica que representa um grande risco para a actividade de condução. As doenças ocupacionais relacionadas a actividade de condução, são na maioria das vezes negligenciadas ou tidas como inexistentesmuitopor contadonãoexercíciodaaferição do nexo de causalidade quando o trabalhador/motorista reclama de uma doença ou mal-estar, sendo normalmente associadas a temas que se prendem com doenças naturais e tratadas no âmbito do seguro normal de saúde. É preciso que haja uma maior consciência do risco das doenças ocupacionais relacionadas a condução por parte do trabalhador e do empregador e que juntos possam trabalhar para prevenir e tratar convenientemente. Infelizmente, todos os anos registamos inúmeros acidentes rodoviários nas estradas nacionais e de todo mundo, e quer acreditemos, quer não, muitos deles são provocados por problemas de saúde e doenças que deviam ser previamente identificados, tratados e corrigidos ou seguidos nos programas de vigilância de saúde ocupacional. Por outro lado, deve haver uma séria preocupação e aposta nesses programas de vigilância de saúde ocupacional, obrigando a mudanças de função no caso de motoristas inaptos temporária ou permanentemente para a actividade de condução, ou ainda aqueles com restrições, como por exemplo a restrição de condução nocturna. Há seguramente doenças que inviabilizam a actividade de condução, temporária ou permanentemente, mas há também muitas situações que só precisam ser devidamente identificadas e quando bem tratadas, não precisam necessariamente inviabilizar a actividade de condução, como por exemplo, o uso de óculos para um motorista que tem problemas de visão, o uso de equipamento auditivo para motoristas que têm problemas de audição, ou ainda o controlo de doenças neurológicas por meio da medicação e seguimento médico regular. Quando olharmos para o risco de acidentes rodoviários, que olhemos com a mesma ou talvez uma preocupação ainda maior, para o risco de doenças ocupacionais, físicas e mentais, que podem acometer quem exerce a função de motorista profissional e que consome mais da metade do seu tempo diário de trabalho a conduzir. Estudos modernos sugerem uma atenção 360º em rigorosamente todas as funções dentro de uma organização, sob pena de negligenciarmos pequenas-grandes situações que podem a médio-longo prazo configurar-se em problemas sérios para quem exerce essas actividades, para as empresas, para as famílias e para os governos. Consequentemente, os programas, políticas e procedimentos de saúde e segurança no trabalho devem ser exaustivamente discutidos, envolvendo toda a empresa, pois em saúde e segurança, vale mais pecar por excesso, que por defeito. Dr. Telmo dos Santos × Responsável do Departamento de Saúde, Segurança e Ambiente da multinacional Angolana Unitel SA, gestor das áreas de Saúde Ocupacio- nal, Higiene e Segurança no Trabalho, Medicina e Psicologia do Trabalho e do Trânsito, Segurança Rodoviária, Sustentabilidade e Responsabili- dade Ambiental. × Técnico Superior de Saúde e Segurança Ocupacional e Mestre em Gestão Ambiental, Saúde e Segurança Ocupacional, pela Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade de Sunderland, Londres e Doutorando em Psicologia pela Atlantic International University, nos EUA. × Especializado em Higiene Industrial pela Faculdade de Higiene Industrial de Londres e tem as certificações internacionais da NEBOSH e IOSH. × Docente Universitário, rosto de várias conferências nacionais e internacionais e autor de vários artigos técnicos sobre segurança rodoviária, ambiente, saúde e segurança no trabalho. × Trabalhou durante 10 anos na petrolífera BP, é Vogal da Direcção da AAMGA (Associação Angolana de Manutenção e Gestão de Activos), membro da Comissão Instaladora da AASSO (Associação Angolana de Segurança e Saúde Ocupacional) e membro do Núcleo Autónomo de Segurança no Trabalho da APSEI (Associação Portuguesa de Segurança).
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