Magazine Risco Zero nº24
arterial, diabetes etc), são exemplos de gestão proactiva da segurança e saúde no trabalho. É óbvio que os processos de trabalho exigem a interação do homem com as matérias primas, os instrumentos, ferramentas, utensílios e máquinas e expõem o trabalhador a riscos de acidentes e doenças que, podendo ser evitados, às vezes, por distrações, desconhecimento, comportamento de risco, negligência, autoconfiança ou fatalidade, resultem em sinistros, que mesmo de forma reactiva, devem ser quantificados, investigados e usados como fonte de aprendizagem para evitar a sua recorrência no futuro. Quantificar a sinistralidade e avaliar o impacto que os acidentes de trabalho e doenças profissionais provocam nas organizações, nomeadamente o número de horas perdidas; a frequência e incidência dos acidentes; a média de afastamento dos trabalhadores para tratamento e reabilitação, bem como os índices de alocação e treinamento para qualificar os profissionais substitutos, são alguns exemplos de gestão reactiva da segurança e saúde nas empresas. Somado à todos estes indicadores, devem ser acrescidos os cálculos sobre os custos directos como gastos com salários dos sinistrados sem prestação efectiva de serviços, assistência médica e medicamentosa, reabilitação e reintegração do(s) sinistrado(s), idemnizações e seguros, reparações de máquinas e equipamentos e os custos indirectos com as quebras nos níveis de produtividade, custos administrativos, perda da competitividade no mercado etc, além das perda intangíveis relacionadas com a degradação da imagem da empresa, a dor e o sofrimento da(s) vítima(s) e suas famílias. Como é fácil constatar, a máxima popular e a lei de Murphy fazem todo o sentido na missão da prevenção dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais, cabendo aos gestores dos serviços de saúde ocupacional, elaborarem programas que tenham como objectivo alcançar o desejável a nível da segurança, saúde e higiene no trabalho, que é a ocorrência do menor número possível de incidentes, acidentes e doenças. O processo de melhoria contínua com vista a aperfeiçoar o desempenho dos programas de saúde ocupacional, deve ser o foco e o compromisso dos gestores dos serviços ao longo do tempo. O Ciclo de Deming como metodologia de gestão, é uma ferramenta válida para a melhoria constante dos programas de saúde ocupacional, visando a redução progressiva e sustentada dos números relacionados com os acidentes e doenças do trabalho. Assim propomos que os gestores destes serviços observem as quatro etapas do ciclo PDCA, nomeadamente: Plan (planificar): definir claramente o problema e o seu impacto na organização; identificar a necessidade de um plano de mudança; enumerar os objectivos a atingir, verificar e quantificar os recursos necessários, definir os métodos e as técnicas de intervenção e estabelecer um cronograma com os prazos para a execução das tarefas. Do (executar): operacionalizar as tarefas do cronograma de ações; treinar e capacitar os intervenientes nos processos, adequar as etapas de realização e acompanhar as ações previstas e realizadas. Check (verificar): Analisar os resultados e se necessário corrigir as técnicas e os métodos, rever os cronogramas e processos. Act (agir): Medir os resultados, validar, padronizar e documentar as acções de sucesso, como método de prevenção de recorrências dos incidentes, acidentes e doenças ou reavaliar todas as etapas do programa e corrigir as insuficiências identificadas, de forma a melhorar o desempenho dos programas de saúde ocupacional. Finalmente, a análise das estatísticas aplicadas à saúde ocupacional, ajuda-nos a entender e a quantificar os problemas da segurança e saúde na organização como um todo e de forma sectorizada, para a tomada de decisões sobre o porquê, onde, quando e quanto investir para se obter melhores resultados, sempre na lógico da melhor relação custo/benefício. Esta é, a nosso ver, a melhor forma de gestão dos serviços e o caminho mais curto para o objectivo primordial dos serviços de saúde ocupacional, a redução da sinistralidade laboral, como aliado importante na gestão e manutenção de um ambiente de trabalho seguro, trabalhadores motivados e identificados com a missão, visão e valores da empresa e que assumem a segurança, saúde e higiene no trabalho como como valor agregado nos negócios das empresas. Dr. Rui Capo ×Médico Especialista emMedicina do Trabalho magazine risco zero
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