Magazine Risco Zero nº23
ENTREVISTA DR. TELMO DOS SANTOS Gestor Sénior de Ambiente, Saúde e Segurança no Trabalho - Unitel SA /9 magazine risco zero "Qualquer investimento feito de forma séria, responsável, dedicada e exemplar no trinómio da segurança rodoviária, resultará sem dúvida alguma, nummelhor clima de segurança e baixa taxa de sinistralidade rodoviária." Relativamente à utilização de equipamentos de transporte, que factores relevantes concorrem para a segurança de transporte no trabalho, devem ser levados em consideração? Penso que o principal e mais crítico elemento que concorre para a segurança rodoviária é o factor humano. Mais de metade dos acidentes rodoviários, ocorrem por situações diversas que se prendem com o factor humano. Daí a necessidade de apostar-se mais na formação, informação, instrução e supervisão constante, no sentido de termos pessoas adequadamente preparadas para a actividade de condução, bem como monitorizar sistematicamente o seu comportamento durante a condução. O uso obrigatório do cinto de segurança (de 3 pontos), respeito aos limites de velocidade, não uso de aparelhos electrónicos durante a condução e não conduzir sob efeito de álcool, droga, cansaço ou fadiga são aspectos que devem ser levados a sério e que concorrem para uma condução mais segura. As organizações devem criar programas e estratégias empresariais consistentes que privilegiem a saúde e segurança rodoviária e investir seriamente em procedimentos, políticas, normas e regulamentos internos, como limites de velocidade e não conduzir sob efeito de álcool e droga, por exemplo, bem como numa cultura organizacional de segurança que potencie um clima cada vez mais seguro e saudável, e também criar políticas de incentivo e reconhecimento interno dos esforços e dos bons exemplos, bem como apostar na cultura da segurança em primeiro e na correção de actos inseguros por parte de todos dentro da organização. Por outro lado, é importante que olhemos com alguma atenção para a importância da Psicologia e Medicina do Trânsito (exames médicos de aptidão para a condução: física, mental e psicológica), gestão eficaz do cansaço e da fadiga (descanso, limites seguros das horas de condução, pausa de 10/15 minutos de duas em duas de condução consecutiva), como aliados imprescindíveis para reduzir o risco inicial, melhor gerir o risco residual e aumentar a segurança na condução. Apesar de tudo, sabemos que existirá sempre um risco residual que deve ser permanente, consistente e sistematicamente (re)avaliado e as respectivas medidas de controlo e segurança, (re)adaptadas a todo momento.
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