Magazine Risco Zero nº23
/19 magazine risco zero O dia 8 de Março é internacionalmente conhecido como o mês da mulher. Historicamente, esta data remota ao início do século XX mas somente nos anos 70 tornou-se oficial o reconhecimento do papel da mulher na procura de melhores condições de vida e de trabalho. A data tem também como objetivo sensibilizar as sociedades a adquirirem um olhar mais crítico em relação à igualdade de oportunidades e tratamento justo para a classe feminina. Enf. Ana Carolina Pinto MARÇO MULHER E A SAÚDE MENTAL ARTIGO PROFISSIONAL A mulher Angolana tem hoje um papel crucial na sociedade, desempenhando uma variedade de funções chave no trabalho, seio familiar e comunidade. Esta diversidade de responsabili- dades e suas exigências tem contribuído consideravelmente para a suscetibilidade e exposição a distúrbios mentais. A saúde mental tem vindo a ganhar mais destaque em Ango- la devido ao apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas iniciativas do Ministério da Saúde que visam criar estra- tégias para apoiar as pessoas com transtornos mentais e pro- mover o seu bem-estar. Porém, ainda está muito a quem das espectativas devido a uma grande resistência à sua divulga- ção fruto de tabus e preconceitos, como aponta a psicóloga clínica Suzana Diogo. De acordo com a OMS, não existe uma definição oficial de saúde mental. No entanto, esta pode ser explicada como um estado de bem-estar em que a pessoa tem consciência das suas habilidades, consegue lidar com as dificuldades do dia- -a-dia, trabalhando ativamente e contribuindo para a comuni- dade. Enf. Ana Carolina Pinto × Licenciatura em Enfermagem pela St Bartholomew's School of Nursing, Londres × Pós graduação emEnfermagemTropical pela London School of Hygiene andMedicine, Londres × Formada em ACLS e BLS acreditado pela AHA desde 2017 × Enfermeira coordenadora na NWA Em Angola, entre 2018 a 2020 mais de 20 mil mulheres foram diagnosticadas com distúrbios mentais e consumo excessivo de álcool, como adiantou a psicóloga Massoxi Vigário, duran- te o ´Encontro Juvenil de Prevenção e Combate ao Consumo de Bebidas Alcoólicas e Drogas na Jovem Mulher´. Estes da- dos estatísticos comprovam a grande necessidade de expan- dir a divulgação da saúde mental focando-se em estratégias de apoio e acompanhamento. FATORES DE ALERTA Quando deixamos de ter capacidade de lidar com situações do quotidiano e perdemos noção das nossas habilidades e capacidade de produzir estamos a aproximar-nos do início de uma doença mental, tal como salienta o psiquiatra Diogo Guerreiro, no seu livro ´´E quando não está tudo bem?´´. Com o desenvolvimento da pandemia a incerteza, ansieda- de e o medo apoderaram-se das pessoas. Adicionando isso ao desgaste causado pelo trabalho e as situações de stress do quotidiano, acaba por gerar condições propícias para distúr- bios psicóticos e comportamentos inadequados, comprome- tendo assim a sua saúde mental. Como evidenciado por especialistas na matéria, existem vá- rios sinais relacionados com sintomas físicos, cognitivos ou emocionais que indicam o início de um problema mental, po- dendo iniciar de uma forma subtil isolada ou em simultâneo. Entre os sinais mais frequentes pode-se salientar: • Problemas de sono- a ausência de sono ou o excesso podem estar relacionados a vários distúrbios mentais. • Ansiedade em excesso ou estar sempre tenso - Por vezes pode até causar alterações fisiológicos tais como: falta de ar, dor de barriga, palpitações ou dor de cabeça. • Extremos de humor - as alterações extremas de tristeza e alegria muito frequentes e sem causa aparente podem ser sinais de alerta. • Afastar-se das pessoas - não querendo comunicar com ninguém ou compartilhar sentimentos. • Esquecimento frequente - tendo dificuldade de concentração nas tarefas diárias e tomadas de decisões. CORPO SÃO, MENTE SÃ O bem-estar mental é essencial para que o individuo consiga estar bem consigo mesmo e com os outros. Para isso Diogo Guerreiro e vários outros psicólogos sugerem algumas mu- danças de atitudes que poderá ajudar a combater este mal. • Criar momentos de ´ócio´ (sem fazer nada) - por vezes pode ser confundido com preguiça. Mas o descanso é imprescindível para o bem-estar mental. • Programar o seu dia - organize melhor as tarefas do dia-a- dia, incluindo momentos de descanso. • Fazer exercício físico – ajuda a manter o corpo saudável e aumenta a ´´hormona da felicidade´´. • Cuidar de si - trate da sua beleza, do seu corpo, crie atividades que lhe dão prazer e relaxam o corpo. • Pedir ajuda - não fique com receio de partilhar os seus sentimentos e de falar com alguém que possa ajudar. NOTA FINAL Face às funções sociais, desigualdades de género e diferentes processos biológicos, a mulher pode vir a estar mais vulnerá- vel a transtornos mentais. Daí ser necessário desenvolver es- tratégias de integração com áreas de apoio e aconselhamento para o devido acompanhamento e prevenção. Desta forma, as mulheres que sofrem de distúrbios mentais poderão receber o tratamento adequado sem receio de ser descriminada, contri- buindo assim para a melhoria do seu bem-estar e saúde.
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MjA1NDA=