Magazine Risco Zero nº22

e da redução dos gastos associados com as doenças dos funcionários . Investir na saúde do funcionário também aumenta o lucro, segundo 61% das empresas que participaram na pesquisa da Delloite sobre “Tendências Globais de Capital Humano”. Igualmente no estudo “Workplace culture: helping or hurting your business” , desenvolvido pela Maxis Global Benefits Network, as empresas que investiram na saúde dos trabalhadores tiveram, em 11 anos, um aumento de 682% na sua receita. Em contrapartida, no mesmo período, as empresas que não investiram cresceram apenas 166%. Numa meta-análise realizada em22 estudos anível internacional, por investigadores da Harvard University , a rentabilidade média do investimento foi de 3,27 USD, o que representa o valor que a empresa poupou por cada 1 USD investido. Estes dados demonstram que indubitavelmente, a saúde e a produtividade do trabalhador, estão interligadas e uma não pode existir sem a outra. Ambas são fundamentais para alcançar a produtividade e eficiência numa empresa. O atual contexto da pandemia da COVID-19 e da crise económica e sanitária, reforça a importância dos Serviços de Saúde ocupacional nas empresas. É bem verdade que, a adequada prevenção e controlo da infeção por SARS- CoV-2 nos locais de trabalho, salva-vida (dos trabalhadores e, consequentemente, de familiares e da comunidade que integram). No entanto, os fatores de risco relacionados com a pandemia não se limitam ao risco específico de infecção da COVID-19 entre os trabalhadores. A adoção de novas práticas e procedimentos de trabalho para mitigar a propagação do vírus levaram a profundas alterações na organização e condições de trabalho, aumentando sobretudo os problemas psicossociais e ergonómicos, que se não forem adequadamente geridos, irão afectar negativamente a saúde e bem-estar do trabalhador e consequentementeaprodutividadedaempresa.ODesemprego e incertezas associadas à doença influenciam negativamente a autoestima, o estresse e a saúde mental, sendo a depressão já considerada como a principal causa de incapacidade em todo o mundo. Assim, a OIT recomenda a integração de estratégias para a proteção da saúdemental dos trabalhadores nasmedidas de prevenção e mitigação da COVID-19 nos locais de trabalho. A crise de saúde pública provocada pelo COVID-19, para além das mortes que está a provocar, irá ter consequências a curto e médio prazo, quer na saúde da população, quer no nosso tecido social e económico, com encerramento de empresas e perda generalizada de postos de trabalho em setores económicos fundamentais12. Deste modo, os gestores das empresas, que pretendam aumentar a produtividade e melhorar a rentabilidade, devem prestar maior atenção à saúde do trabalhador. Como demonstrado, investir na saúde ocupacional é hoje uma importante estratégia de gestão do negócio, fundamental para fomentar a produtividade global, os resultados financeiros e a sustentabilidade dos negócios. Os programas de Saúde Ocupacional apoiam as empresas, através de um correto diagnóstico das situações de risco e da gestão efetiva dos riscos profissionais existentes, a garantir um ambiente de trabalho seguro e promotor de saúde. Isso aumenta a satisfação e a motivação do trabalhador, a produtividade das equipes, além de prevenir e reduzir a ocorrência de acidentes e doenças profissionais e relacionadas com o trabalho. Para além de ser uma vantagem competitiva, o programa de saúde ocupacional, deve ser visto como um investimento no presente e para o futuro, que é vital e lucrativo para qualquer empresa. Dra. Paula Madaleno × Médica, Especialista em Pediatria × Mestre em Saúde Ocupacional pela Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa - Portugal × Doutoranda em Saúde Internacional no IHMT, Universidade Nova de Lisboa - Portugal × Membro da Associação Europeia de Saúde Pública (EUPHA) - Grupos de Pesquisa em Saúde Ocupacional dos profissionais de saúde, segurança social, trabalho e saúde. magazine risco zero Referências bibliográficas: • Gestão dos riscos psicossociais relacionados com o trabalho durante a pandemia da COVID-19 ( ilo.org ) • Gestão dos riscos psicossociais relacionados com o trabalho durante a pandemia da COVID-19 ( ilo.org ) • wcms_466547.pdf (ilo.org ) • https://www.cdc.gov/niosh/docs/99-101/pdfs/99-101.pdf?id=10.26616 /NIOSHPUB99101 • Presenteeism according to healthy behaviors, physical health, and work environment - PubMed (nih.gov) • Table 4. Quits levels and rates by industry and region, seasonally adjusted (bls.gov) • 25 estatísticas fascinantes de bem-estar no local de trabalho | Subir (risepeople.com) • Impact of the Prevention Plan on Employee Health Risk Reduction (nih.gov) • Melhoria da produtividade dos funcionários por meio da melhoria da saúde : Revista de Medicina Ocupacional e Ambiental (lww.com) • Well-Being Learning Project (pwc.com.br ) • IFEBP | Workplace Wellness Trends 2017 Survey Results • "Investir no tratamento para depressão e ansiedade leva a um retorno quatro vezes maior", who.int. • MAXIS GBN - Whitepapers (maxis-gbn.com ) • Baicker, K., Cultler, D., Song, Z., 'Workplace Wellness Programs Can Generate Saving', Health Affairs, 29, no. 2 (2010): 2010, pp. 304-11.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjA1NDA=