Magazine Risco Zero nº21
ARTIGO REVISTA SEGURANÇA COMPORTAMENTAL CONCEITOS PRINCIPAIS NA GESTÃO DE DOENÇAS PROFISSIONAIS Reedição de artigo cedido pela Revista Segurança Comportamental na sequência da parceria estabelecida com a Magazine Risco Zero. Em 1919, a Organização Internacional do Trabalho (O.I.T.) define a primeira doença profissional designada por Carbúnculo, doença infeciosa provocada pela bactéria Bacilus Anthracis, ano da fundação deste organismo internacional. O tema sobre as doenças profissionais pode ser considerado o parente pobre da gestão da segurança e saúde. Em 2017 a nível mundial 2,78 milhões de mortes atribuídas ao trabalho, foram causadas por doenças profissionais e acidentes de trabalho, sendo que a mortalidade relacionada com o trabalho representa assim 5% do total de mortes globais. Na mortalidade atribuída ao trabalho (2017), a maior parcela da mortalidade atribuída ao trabalho está relacionada com doenças ligadas ao trabalho, responsáveis por 2,4 milhões (86,3%) do total estimado de mortes, e os acidentes de trabalho fatais representaram os restantes 13,7%. Há dificuldades já identificadas, sendo uma das mais evidente a fraca cultura de participação por parte dos médicos. A nível de higiene do trabalho, existem também dificuldades por desconhecimento de dados e informação, em acompanhar, prevenir e até investigar e analisar as doenças profissionais, doenças participadas e quase-doenças profissionais. A nível mundial são as doenças músculo-esqueléticas as que mais contribuem para as mortes de doenças ligadas ao trabalho. É num contexto de trabalho globalizado com a tendência cada vez maior de sistemas organizacionais sociotécnicos que apresento os conceitos mais importantes para a gestão de doenças profissionais: Doença profissional aquela que é contraída pelo trabalhador na sequência de uma exposição a um ou mais fatores de risco presentesnaatividadeprofissional, nas condiçõesde trabalhoe/ ou nas técnicas usadas durante o trabalho. É ainda considerada doença profissional a lesão corporal, a perturbação funcional ou a doença, desde que se prove ser consequência, necessária e direta, da atividade exercida e não representem normal desgaste do organismo. Doenças relacionadas com o trabalho são as doenças multifatoriais para cuja etiologia contribuem fatores de natureza profissional, individual e/ou extraprofissional e na qual o trabalho não desempenha um papel decisivo, mas contribui com um ou mais dos fatores diretamente relacionados. São difíceis de caracterizar pelo método epidemiológico e atualmente representamumproblema de grande dimensão em saúde ocupacional. Enquadram-se neste âmbito, entre outras: as lombalgias; alterações físicas e psíquicas devidas ao trabalho por turnos; stresse ocupacional; doenças cardiovasculares. Doenças agravadas pelo trabalho: são as doenças que não têm influência do trabalho na etiologia das doenças, mas sim na sua evolução ou no seu desfecho. Assim, por exemplo, um trabalhador que desde jovem sofra de asma ou de qualquer outra patologia respiratória, pode ter complicações ou agravamento se exercer a sua atividade em meio laboral, onde existam poeiras em suspensão no ar. Agravamento: lesão ou doença que, estando a melhorar ou estabilizadas, pioram ou se agravam. Recaída: lesão ou doença que, estando aparentemente curadas, reaparecem. magazine risco zero
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