Magazine Risco Zero nº21

probabilidade de ocorrência de um efeito nefasto específico, a sua intensidade e as suas características. Este risco poderá ficar adever-se, essencialmente, à sobre-exposição radioactiva, assim como ao risco de contaminação. AContaminação Radioactiva é entendida como sendo a presença de substâncias radioactivas num meio ou superfície material. No caso de contaminação do corpo humano, esta pode ser externa, quando se verifica deposição dos radionuclidos na superfície exterior do corpo, ou interna, quando os radionuclidos penetram no organismo por qualquer via (inalação, ingestão, feridas, etc.) (Avelar, s/d). A radiação pode provocar, directa ou indirectamente, a ionização e excitação dos átomos do meio que atravessa. Obtêm-se, assim, iões e radicais livres que podem iniciar uma sequência de reacções químicas, as quais, no caso dos seres vivos, têm implicações no desenvolvimento, reprodução e vida das células. Os efeitos biológicos dependem da natureza e intensidade da radiação e do órgão ou tecidos afectados. É importante realçar-se que a radiação natural é a principal fonte de radiações a que a população está sujeita e que não é possível distinguir os efeitos devido à radiação natural daqueles que são originados pelas radiações que o homem produz (Martinho & Salgado, 1996). As normas básicas de Radioprotecção assentam em três princípios gerais: Justificação da exposição; Optimização da mesma, devendo a exposição ser mantida tão baixa quanto razoavelmente possível; e Limite de Dose Individual, a qual não deve exceder os limites recomendados. Os três Princípios Fundamentais de Protecção e Segurança Radiológica devem ser permanentemente tidos em conta: o Tempo (os efeitos directamente proporcionais ao tempo de exposição), a Distância (a exposição num dado varia na razão inversa do quadrado da distância à fonte emissora) e o uso de Barreiras de material apropriado (por exemplo, o chumbo ou o tungsténio para reduzir a exposição para níveis aceitáveis) (Martinho & Salgado, 1996). As Normas Básicas de Segurança para a Protecção contra Radiações Ionizantes eSegurançadeFontesRadioactivas foram revistas em 1994 e aprovadas pelos principais Organismos internacionais (OMS, OIT, entre outros). A Directiva 96/29/ EURATOM do Conselho da Europa de 13 de Maio fixa as normas de segurança de base relativas à protecção sanitária de população e dos trabalhadores contra os perigos resultantes das radiações ionizantes. Um dos aspectos mais relevantes destas normas e Directiva é a ênfase na recomendação de “manter a /35 Num serviço de Medicina Nuclear, apesar do elevado grau de especificidade, por se tratar de uma área onde as radiações ionizantes (que possuem energia suficiente para transformar átomos e moléculas em partículas com carga) assumem protagonismo, assim como o papel do físico responsável pelo Serviço, é necessária e possível a realização de uma Avaliação de Riscos com a periodicidade adequada por um Técnico Superior ou Técnico de Segurança no Trabalho (TSST ou TST), para que sejamverificadas as condições de segurança presentes no local e as melhorias a efectuar, no sentido de minimizar não só os efeitos nocivos das radiações no organismo, como também todos os outros riscos físicos, químicos, biológicos e ergonómicos existentes em qualquer serviço de saúde. A Medicina Nuclear define-se, de forma muito simples e sintética, como uma técnica de diagnóstico e terapêutica que faz uso de tecnologias extremamente avançadas, seguras e indolores, para produzir imagens de órgãos do corpo humano, permitindo a sua visualização. Tem como princípios básicos a obtenção de imagens cintigráficas que se baseiam na capacidade de detectar radiação gama emitida por material radioactivo. Esta é uma área laboral onde as radiações ionizantes estão permanentemente presentes, sendo, portanto, fundamental um profundo conhecimento não só das suas consequências, como também das medidas de prevenção e protecção a adoptar (Pisco & Sousa, 1998). A existência de um Físico é obrigatória e determinante, não apenas para estabelecer os critérios para uma correcta utilização dos agentes radioactivos utilizados, como também na protecção do paciente e dos profissionais quanto à aplicação e uso das radiações ionizantes com segurança, entre outros. Especificidades de um serviço de medicina nuclear Os principais riscos existentes num Serviço desta natureza estão associados à presença constante de radiações ionizantes e consequente exposição. A exposição está associada ao acto ou condição de sujeição a irradiação por fontes radioactivas ou equipamentos emissores de radiação, que pode ser externa (irradiaçãopor fontes exteriores ao corpo) ou interna (irradiação por fontes interiores ao corpo). De acordo com Avelar (s/d), Risco Radiológico é uma grandeza que exprime o perigo ou a probabilidade de efeitos nefastos associados a uma exposição potencial ou real a radiações. Relaciona grandezas como a

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