Magazine Risco Zero nº21
magazine risco zero Importa aqui destacar as lesões músculo-esqueléticas nos profissionais de saúde expostos a radiações ionizantes, em decorrência da utilização frequente dos equipamentos reves- tidos por chumbo, utilizados como EPI, que devido ao seu peso excessivo e utilização frequente podem acarretar proble- mas para a saúde. Riscos de natureza psicossocial: surgem em virtude da ocor- rência de conflitos dentro das equipas, as agressões por par- te dos utentes ou familiares, e pelo contacto frequente com a doença e com a morte. Destaca-se também a execução de tarefas com elevado grau de exigência, a multiplicidade de tarefas, os ritmos intensos de trabalho, a rotatividade de horá- rios associados ao trabalho por turnos/noturno, identificados como potenciais causas de stress laboral. Segundo, Santos M. e Almeida A., 2016, “as profissões associadas à saúde, estão genericamente, associadas a stress laboral”. Outro factor de risco psicossocial encontrado entre os profissionais de saúde é o bullying, que ocorre quando elementos da equipa atuam num ou mais colegas, para os humilhar, denegrir e perturbar, durante um período prolongado de tempo. A exposição a estes factores de riscos pode levar à insónia, à depressão, ao consumo de álcool e outras drogas, à desmotivação, à insatis- fação profissional, ao absentismo e ao abandono da profissão. Como consequências mais graves da exposição aos riscos psicossociais, o trabalhador pode desenvolver a síndrome de Burnout, conhecido como síndrome do esgotamento profis- sional, ou chegar ao suicídio. Outros riscos: No sector da saúde podemos ainda encontrar o risco de queda ao solo, derivado de pavimentos lisos ou molhados, o trabalho em altura na arrumação de material em armazém e/ou armários, a queda de materiais ou objetos du- rante a arrumação, o risco de incêndio ou explosão pela exis- tência de substâncias inflamáveis. A exposição a estes riscos tem consequências que podem ocasionar fraturas, entorses e contusões, incêndios e outros danos pessoais e materiais. ACIDENTES DE TRABALHO/DOENÇAS OCUPACIONAIS: A exposição permanente aos riscos ocupacionais tem con- sequências para a saúde do trabalhador, tais como acidentes de trabalho e doenças profissionais, com implicações quer ao nível físico quer ao nível psicológico. No sector da saúde existe uma grande probabilidade de ocorrerem acidentes de trabalho, suscetíveis de causar patologias de carácter trans- missível como Hepatite B, C e HIV, por isso é necessário que sejam desenvolvidos programas que envolvam uma actuação rápida, envolvendo o conhecimento da fonte (doente), dispo- nibilização do kit de emergência (retrovirais), a realização de exames complementares de diagnóstico e o acompanhamen- to médico ao profissional. Neste contexto, considera-se ser de real importância a adopção de medidas tanto organizacionais, como individuais, que possibilitem a promoção e a prevenção da sua saúde trabalhador. Quanto às doenças profissionais, constituem uma das con- sequências negativas das más condições de trabalho sobre a saúde dos trabalhadores. A sua subvalorização tem repercus- sões negativas não só no que respeita ao conhecimento da realidade, como também na resposta atempada ao direito de reparação e na definição de estratégias preventivas. PREVENÇÃO DOS RISCOS PROFISSIONAIS: As instituições têm por obrigação, garantir a protecção dos trabalhadores ao seu serviço face aos riscos profissionais. Atendendo a particularidade das actividades laborais dos pro- fissionais de saúde, acredita-se que o conhecimento e a com- preensão dos riscos profissionais é o ponto de partida para a prevenção dos acidentes de trabalho e doenças profissionais, isto porque, a percepção sobre estas situações irá influenciar as suas atitudes e comportamentos no exercício das suas fun- ções. É importante que cada problema (risco) identificado seja estudado, quer na sua tipologia quer na sua frequência, para que se possa conhecer as suas causas e atempadamente se possa prevenir a ocorrência de efeitos adversos. A criação de normas por parte das instituições é outra medida que se julga ser de grande relevância, principalmente no que diz respeito a utilização de equipamentos corto-perfurantes. Devem ser implementadas boas páticas nos serviços, prin- cipalmente no que diz respeito a actividades que envolvem maior risco para os profissionais, como o reencapsulamento de agulhas, a transferência de fluidos orgânicos entre diferen- tes recipientes e o facto de não se eliminar correctamente as agulhas e objectos cortantes em contentores de cortantes (Ar- rabaço, 2008). É necessário que sejam desenvolvidos progra- mas de formação, a fim de sensibilizar os profissionais para a mudança de comportamentos e desenvolver mecanismos de fiscalização face ao incumprimento das normas pré-estabele- cidas.
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