Magazine Risco Zero nº18
6 CIDADANIA paço físico do SIAC Malanje, tem havido especial atenção e rigor na ob- servância da distância de segurança entre utentes, tendo-se verificado um esforço conjunto de todos os ac- tores envolvidos e engajados nesta missão, sendo eles: o corpo de segu- ranças, controladores de fluxo, co- laboradores afectos ao atendimento, funcionários da empresa de limpeza e todos os parceiros envolvidos. Tem havido também, uma preocupação extrema por parte da coordenação, na passagem/actualização constante de informação aos envolvidos, para que eles possam auxiliar com conhe- cimento na prevenção, reforçando de forma constante o know-how com de- cretos e normas de biossegurança. Em relação à província de Malanje e a par das outras 17 restantes províncias, adoptaram-se todas as medidas de segurança de acordo com as normas e procedimentos orientados no Plano Nacional de Contingência para contro- lo da pandemia da COVID-19. Vários actores quer seja do sector administrativo público/ privado e os parceiros socias não mediram esforços visando efectivar com rigor todas as medidas de biossegurança visando a proteção da população. No âmbito do sector administrativo público verificamos uma forte coordenação entre o Governo Provincial de Malanje, a Direção Provincial da Saúde, o Ministério do Interior e da Defesa e a Sociedade Civil, no qual cada um coordenadamente vai cumprindo a sua função face as medidas necessárias a serem implementadas e cumpridas visando a pre- venção da contaminação pelo Coronavírus. O Governo Provincial de Malanje lançou uma campanha ampla de sensibilização, que tra- balha incansavelmente na consciencialização das famílias sobre os riscos de contaminação da doença, dada a facilidade com que a mes- ma se propaga. A Direção Provincial da saúde aumentou quantitativamente e qualitativamente o número de quadros do sector da saúde com a vinda de Médicos especialistas Cubanos, visando colaborarem com os técnicos lo- cais, para o combate desta doença. Importa realçar que os mesmos serão distribuídos nos 14 municípios da província de Malanje. Foram recolhidas algumas amostras de ci- dadãos provenientes do exterior do país , que cumpriram com a quarentena em um dos lo- cais disponibilizados pelo governo provincial e onde as condições mínimas foram criadas para o acolhimento condigno dos cidadãos quer nacionais, quer estrangeiros. A nível do Ministério do Interior, a Direção Provincial da Viação e Trânsito tomou medi- C V • D R . L A N G I M E N D E S Coordenador do SIAC Malanje Licenciado em Gestão de Recursos Humanos das profiláticas como, o aumento do rigor nos postos de controle estrategicamente mon- tados, restrição do acesso a via pública dos automobilistas salvo nos casos de exceção previsto no Decreto Executivo sobre o Estado de Emergência, aconselhamento aos auto- mobilistas que de certa forma não conhecem ou interpretaram o decreto de forma clara, e tomadas de medidas coercivas no caso de de- sacato e reincidências. O corpo de bombeiros, desde o inicio do Es- tado de Emergência, verificou a situação do efectivo laboral e conforme determina o De- creto Executivo reduziu o grupo para 50% dos efectivos. Tem incidido a sua actividade sobre a sensibilização e palestras de biossegurança, assegurando o controle, ajuda também os efectivos da DNVT a verificar se os automobil- istas e veículos estão a cumprir com o Decreto cumprindo com as normas de biossegurança. Entretanto, nem tudo é um mar de rosas, existem situações que precisam ser acaute- ladas, como a dificuldade de acesso a alguns municípios , necessidade de maior sensibi- lização da população no interior dos bair- ros onde as medidas profiláticas raramente fazem-se sentir. Basta entrar nas zonas per- iféricas e verificamos intensas partidas de futebol, tascas abertas, os cidadãos levam o seu estilo de vida normalmente como se de um outro mundo se tratasse, alguns merca- dos trabalham sem cumprir com o horário de abertura e fecho, há uma percentagem muito reduzida de cidadãos a cumprirem na ínte- gra o distanciamento físico, ou seja o apelo “ fique em casa “, que se tem difundido pelos órgãos de comunicação massiva e parceiros , não tem surtido efeito nas zonas periféricas, e, é simples de comprovar pelo número de crianças e adultos a deambularem pelas ruas das nossas periferias. O convívio não é res- trito, muita gente a caminhar pelas ruas nos bairros, consumo de álcool, os transeuntes não utilizam máscara de protecção individ- ual, salvo exepção quando se deslocam no centro da cidade ou em áreas onde há postos de controle ou efectivos policiais. Outros- sim também são as condições de vida apre- sentadas por uma boa franja da sociedade, há dificuldades sociais, como, acesso á agua potável nalguns casos, alimentação, que tor- nam a obrigação de ficar em casa uma obra dantesca. Onde algumas famílias perante as dificuldades de aquisição de viveres mandam os seus meninos a casa dos vizinhos na espe- rança de fazerem pelo menos uma refeição básica. Bem - haja às campanhas solidárias dos parceiros e dos músicos que têm angar- iado cestas básicas para ajudar estas famílias carenciadas e importa agora a melhor gestão para que as mesmas cheguem aos destinatári- os. Lembrar que Angola não se circunscreve apenas a Luanda, temos uma extensão terri- torial de 1.246.700 km ao quadrado, e existem em muitas partes do território famílias que se sentiriam regozijadas com a atribuição de uma cesta básica em tempos de COVID-19. A liderança , é levar indivíduos a re- alizarem de bom grado tarefas que são consideradas para o bem comum ( James C. Hunter – O monge e o execu- tivo , A essência da liderança). Os grupos de intervenção nos bairros podem de certa forma colaborar com as comissões de moradores, sobas, indivíduos com forte influência nas comunidades para que haja maior esclarecimento e comunicação direc- ta e clara sobre o mal que nos aflige e con- comitantemente estes grupos disseminarem as boas práticas perante estas comunidades, para que se possa ter noção da seriedade e gravidade da doença dado o seu elevado grau de contaminação e levar as pessoas a perce- berem que a prevenção é a melhor arma de combate, nos casos em que for possível res- peitemos o distanciamento social. Apesar de haver necessidade de tomada de medidas, é necessário saber quando e onde tomá-las, sendo que há a sensação de que as medidas coercivas, nomeadamente o uso da força física por parte dos órgãos policiais têm sido em função da repetição do efeito bola de neve de algumas províncias em par- ticular , ou seja antes de decidir-se bater na população precisa haver o equilíbrio entre o bom senso ,o amor e comunicação entre os órgãos e a população porque verifica-se que em muitos dos casos o não cumprimento das medidas de biossegurança deriva da pouca informação ou desinformação por parte da população, devendo sim usar-se as medidas coercivas em casos de reincidência e caso se julgue necessário, mas deve ser sempre con- siderada como a última medida a ser tomada e com uma boa dosagem para que não resulte no ferimento grave dos cidadão através do uso abusivo da força ,ou em morte , para não ocorrer o paradoxo de as forças de segurança fazerem vítimas ou mais vítimas do que o próprio CORONAVÍRUS.
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