Magazine Risco Zero nº18

/31 foram utilizados simultaneamente em 1219 profissionais de saúde (25,7%). As radiografias foram realizadas em profissionais de saúde sintomáticos ou em profissionais de saúde com teste positivo. Os testes foram repetidos anualmente ou semestralmente, dependendo da avaliação de risco. O IGRA foi positivo em 32,6% e o TST em 74,2% dos profissionais de saúde. Os anos passados na área da saúde foram um fator de risco para um resultado IGRA positivo, mas não para um TST positivo. O rastreio dos profissionais de saúde quanto à infeção latente por TB, bem como TB ativa é fundamental nos programas de controle de infeção em hospitais (3). Apesar das inúmeras guidelines e recomendações publicadas ao longo das últimas décadas sobre a prevenção e o gestão da TB nos serviços de saúde, estudos em países de baixo e médio rendimento (emque persistemaltos níveis de incidência daTB na população) continuam a reportar níveis baixos a modestos de implementação de práticas de prevenção generalizadas, acompanhadas por uma alta incidência de novas infeções por tuberculose entre os profissionais de saúde (4). Entre as principais formas de abordagem preventiva citam-se: 1) Controlo e prevenção da infeção As recomendações do Center for Diseases Control (CDC) estabelecem três níveis de prevenção primária que formaram a base de muitas políticas, recomendações e práticas subsequentes: práticas administrativas, ambientais e de proteção pessoal. O CDC também defende o rastreio e o tratamento da tuberculose latente nos profissionais de saúde, como prática preventiva (4). 2) Abordagem da Saúde Ocupacional Em relação à prevenção primária, a abordagem da Saúde Ocupacional é similar à do Controlo e Prevenção da Infeção do CDC, especificamente: avaliação de risco, controle ou eliminação da fonte (neste caso, transmissão de infeção de doentes para profissionais), uso de controlos estruturais ou de engenharia para reduzir a exposição, (design de espaços e ventilação, por ex.) e equipamentos de proteção individual. A Medicina do Trabalho tem também um importante foco na prevenção secundária e terciária, ou seja, aconselhamento, Professor Doutor António Jorge Ferreira × Professor Auxiliar de Epidemiologia e Medicina Preventiva da Fa- culdade de Medicina da Universidade de Coimbra. × Especialista em Medicina do Trabalho. Especialista em Pneumo- logia. Assistente hospitalar graduado de Pneumologia do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (Hospitais da Universidade de Coimbra), onde é responsável pela consulta de Doenças Respirató- rias Profissionais desde 2004. × Mestre em Saúde Ocupacional e Doutorado em Medicina Preven- tiva e Comunitária pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, onde é atualmente coordenador do Curso de Pós-gradua- ção em Medicina do Trabalho e do Mestrado em Saúde Ocupacio- nal.” × Diretor do Gabinete de Estudos Avançados da Faculdade de Medi- cina da Universidade de Coimbra rastreio, descoberta de casos, tratamentomédico, re-colocação e gestão da incapacidade dos profissionais de saúde (4). 3) FAST (Find cases Actively, Separate safely, and Treat effectively) Atendendo à proporção epidémica de TB relacionada com a co-infeçãoVIHeTBresistenteamedicamentos, características de países com alta incidência de TB, o componente administrativo do IPC foi recentemente "reorientado" como um programa na forma de FAST. Nesta estratégia, a capacidade técnica para diagnóstico precoce e rápido de TB, bem como da suspcetibilidade aos vários antibióticos é fundamental, nomeadamente recorrendo à tecnologia GeneExpert® (Cepheid, Sunnyvale, CA, EUA), bem como a disponibilidade de tratamento eficaz para algumas formas de tuberculose resistente a medicamentos (4). Sabendoque a infecciosidadepode ser drasticamente reduzida nos dias seguintes ao início do tratamento, o argumento da estratégia FAST é que o investimento de recursos no rastreio de doentes, disponibilização de instalações para o seu isolamento e garantia de medicamentos eficazes pode ter resultados inovadores e promissores no combate à TB (4). Conclui-se, assim, que a estratégia de cada país no combate à tuberculose ocupacional passa pela escolha criteriosa e cientificamente fundamentada da(s) estratégia(as) mais adequadas à realidade local. Referências bibliográficas: http://shorturl.at/gjH02

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