Magazine Risco Zero nº16
/9 Na sua opinião, como contribuir para o bem-estar e satisfação dos trabalhadores e mante-los motivados e engajados com a actividade que desenvolvem? Relativamente a esta questão, pode-se dizer que hoje ao nível das organizações há duas componentes essenciais para garantia da satisfação e bem-estar dos trabalha- dores bem como mante-los motivados no desenvolvimento das suas actividades: a primeira componente tem a ver com a estrutura organizativa funcional das organi- zações em termos da composição e das cores do próprio escritório e das condições ergonómicas. Depois podemos olhar para a segunda componente, que tem a ver com as pessoas e questões ligadas a qualidade de liderança, a relação entre os trabalhado- res. Devemos ter em atenção a um aspecto primordial que é a “flexibilidade”, que tem sido a grande indicação dos autores que escrevem matérias inerentes ao bem-estar, com a preocupação de garantir um equilíbrio entre o contexto familiar e profissional do trabalhador. Digo sempre que nós não temos duas vidas, temos apenas uma, ora somos trabalhadores, ora somos chefes de família e se conseguirmos garantir o equi- líbrio entre a nossa vida profissional da familiar será um aspecto importante porque este também faz com que haja melhoria e motivação no trabalho. Agora, relativamen- te ao campo da motivação, como impulso de fazer com que os trabalhadores atinjam os seus objectivos, podemos ver em duas vertentes, isto é, na vertente pessoal ou as- pectos internos como a questão da liderança e na vertente da relação laboral dentro do próprio local de trabalho. Temos consciência de que as principais causas que afectam negativamente a qualidade de vida e bem-estar no trabalho estão directamente relacionadas ao absentismo, estresse, desmotivação, doença, conflito laboral, falta de condições de trabalho etc. Na sua opinião, quais seriam as medidas a serem tomadas pelas instituições relativamente aos aspectos referenciados? A primeira medida é ouvir as pessoas, hoje nós não temos tempo para os outros. Em muitas situações nós estamos a falar com os outros e ao mesmo tempo a mexer nos nossos telefones. O ouvir as pessoas dentro da instituição é tarefa de todos, pois não podemos responsabilizar o factor bem-estar numa única pessoa. As organizações são combinações de esforços individuais que tem por finalidade realizar propósitos co- letivos, assim sendo podemos dizer que são criadas para trabalhar em equipa. Fruto da dinâmica do mercado e da preocupação do indivíduo, leva com que o trabalho em equipa seja comprometido, isso tem um impacto do ponto de vista da produção. Repara que se olharmos para as formigas elas nunca atacam outra formiga, pelo con- trário protegem-se de uma forma que, quando uma que não faz parte daquele grupo tenta atacar o grupo, elas unem-se para que tal acto não aconteça, então o foco mais importante é o trabalho em grupo. Penso que esta metáfora das formigas deve ser levada às organizações, o mais importante não é o indivíduo mas sim, o grupo de tra- balho. O foco deve ser o trabalho em equipa para que os resultados sejam atingidos. Nós em gestão temos uma palavra chamada “sinergia”: a soma das partes é maior do que todos. Ou seja, individualmente fica muito mais difícil o trabalho, eu penso que é aqui onde deve-se actuar fundamentalmente para facilitar a melhoria do próprio
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