Magazine Risco Zero nº16

/55 nientes de vendas de sangue sem controlo de qualidade e se- gurança. A transmissão sexual não era restrita a gays, começavam a surgir casos em casais heterossexuais e, consequentemente, casos de transmissão vertical, da mãe para o filho. Tais formas de transmissão fizeram com que o órgão de saú- de pública americano mudasse o nome da misteriosa doença para Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA). A descoberta do VIH Em 1979 Robert Gallo conseguiu isolar um vírus que infetava os linfócitos T e causava leucemia, a que chamou de HTLV- 1. Ao ter conhecimento de uma doença transmitida sexual- mente, verticalmente e por contacto sanguíneo – as mesmas formas de transmissão do HTLV-1, Gallo pensou tratar-se de outra variedade de HTLV e resolveu estudar a SIDA. Em 1983 Luc Montagnier também estudava a SIDA. Nessa altura os únicos retrovírus conhecidos eram o HTLV-1 e HTLV-2, des- cobertos e estudados por Gallo. Com as descobertas de Robert Gallo e Luc Montagnier, foi possível em 1987 utilizar o primeiro medicamento contra o VIH, o AZT. Em 1995 foi introduzida a terapia com três drogas que até hoje possibilita uma qualidade de vida muito maior para as pessoas que vivem com o VIH. Formas de transmissão • Contacto sexual desprotegido; • Contacto direto com sangue ou fluídos contaminados – par- tilha de agulhas e seringas durante o uso de drogas injetá- veis, procedimentos médicos invasivos com equipamentos não esterilizados, transfusões de sangue e/ou hemo deriva- dos contaminados; • Acidentes com materiais biológicos – que gerem contacto direto com mucosas, pele lesionada ou ferida e com tecidos profundos do corpo, permitindo o acesso à corrente sanguí- nea; • Da mãe portadora do VIH para o filho – durante a gestação, o parto ou pelo aleitamento (com o tratamento adequado, o risco de infeção entre mãe e filho pode ser reduzido. O trata- mento preventivo envolve a mãe iniciar a terapia retroviral durante a gravidez, fazer o parto através de uma cesariana, evitar a amamentação e administrar medicamentos retrovi- rais ao recém-nascido). Progressão e sintomas Existem três fases principais da infecção pelo VIH: infecção retroviral aguda, fase latente e SIDA. 1. Infecção retroviral aguda O período inicial após a contaminação pelo VIH é chamado de infecção retroviral aguda. Muitos indivíduos desenvolvem uma doença semelhante à gripe duas e quatro semanas após a exposição ao vírus, enquanto outras pessoas não têm sinto- mas significativos. Os sintomas ocorrem entre 40% e 90% dos casos e geralmente incluem: Geralmente duram 7 a 10 dias e desaparecem espontanea- mente dependendo do sistema imunitário da pessoa. 2. Fase latente Os sintomas iniciais são seguidos por uma fase de latência sem sintomas e que pode durar vários anos. 3. Síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA) A síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA) é definida pela baixa contagem de células T CD4+ ou pela ocorrência de doenças específicas, em associação com uma infecção por VIH. Na ausência de tratamento específico, cerca de metade das pessoas infectadas com VIH desenvolvem SIDA cerca de dez anos após a contaminação. As condições iniciais mais co- muns que alertam para a presença de SIDA são a pneumocis- tose, caquexia, candidíase esofágica e infeções respiratórias recorrentes. As infeções oportunistas podem ser causadas por bactérias, vírus, fungos e parasitas que normalmente seriam controla- dos pelo sistema imunitário.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjA1NDA=