Magazine Risco Zero nº16

magazine risco zero O Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) é uma doença do sistema imunitário humano e é provocada pelo vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), do qual se conhecem dois tipos, o VIH 1 e o VIH 2. Este vírus pode ficar latente durante vários anos, no entanto, pode ser transmitido a outras pessoas. O VIH ao entrar no sangue, ataca as células defensoras e deixa a pessoa debilitada e sensível a outras doenças, as chamadas doenças oportunistas, que geralmente não afetam aquelas com um sistema imunitário saudável. Quando uma pessoa está infetada com o VIH diz-se que é seropositiva. Quando a infeção enfraquece as suas defesas, destruindo a capacidade de resposta a muitas doenças diz-se que tem SIDA. Enf. Verónica Silva VIH/SIDA ARTIGO PROFISSIONAL A sua história Em 2008, os cientistas confirmaram que o VIH 1 e VIH 2 tive- ram origem nos chimpanzés selvagens por evolução do vírus da imunodeficiência símia (VIS) numa região remota dos Ca- marões, em África e foram transferidos para os seres huma- nos no início do século XX. Há evidência de que humanos que participavam em ativida- des com animais selvagens, como caçadores ou vendedores de animais silvestres, se infetaram com o VIS, que é um vírus fraco e que normalmente é suprimido pelo sistema imunitário humano. Acredita-se que são necessárias várias transmissões de pessoa para pessoa desse vírus para lhe dar tempo sufi- ciente para se transformar no VIH. A epidemia do VIH surgiu com o colonialismo e com o cres- cimento das grandes cidades africanas coloniais, o que levou a diversas mudanças sociais, como um maior grau de promis- cuidade sexual, disseminação da prostituição e alta frequên- cia de casos de doenças genitais (como a sífilis). Uma visão alternativa defende que práticas médicas insegu- ras em África após a Segunda Guerra Mundial, como a reu- tilização de seringas não esterilizadas durante programas de vacinação em massa, uso de antibióticos e de campanhas de tratamento anti malária, foram os vetores iniciais que permi- tiram que o vírus se espalhasse e se adaptasse aos seres hu- manos. O caso mais antigo e bem documentado de VIH em humanos remonta a 1959, na República Democrática do Congo. O vírus pode ter estado presente nos Estados Unidos desde 1966, mas a grande maioria das infeções que ocorreram fora da África Subsaariana podem ter na origem um único indivíduo des- conhecido que se infetou com o VIH no Haiti e, em seguida, levou a infecção para os Estados Unidos por volta de 1969. No final dos anos 70 o movimento gay estava em pleno cres- cimento e muitos gays relataram terem relações sexuais não protegidas com mais de 100 parceiros por ano. Para além dis- so, também, crescia o consumo de drogas injetáveis, com se- ringas a serem partilhadas por vários consumidores. Doenças antes restritas a uma pequena parte da população, começaram a espalhar-se muito facilmente, tanto pelo con- tacto sanguíneo como pelo contacto sexual. Nos EUA e na Europa começaram a surgir casos de homens com cerca de 30 anos com doenças que até então atacavam apenas idosos e recém-nascidos. O perfil destas pessoas e os padrões epidemiológicos indi- cavam que fosse uma doença sexualmente transmitida, que passou a ser chamada de “doença de imunodeficiência rela- cionada com gays”. Mais tarde percebeu-se que a doença po- dia afetar também os utilizadores de drogas injetáveis. Além dos consumidores de drogas, os hemofílicos e as pessoas que tinham recebido transfusões de sangue, muitas vezes prove-

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