Magazine Risco Zero nº16
magazine risco zero Dra. Paula Figueiredo × Médica/Especialista em Medicina do Trabalho A implementação de programas de Gestão da Qualidade de Vida no trabalho tornam-se essenciais para proporcionar ambientes de trabalhos seguros, com redução dos custos associados a acidentes de trabalho e doença profissional, ausência por doenças, aumento de produtividade e cumprimento das exigências legais, pelo que, para as empresas a questão da saúde ocupacional deve ser encarada como uma estratégia para os negócios. Tendo emconta que, a capacidade para o trabalho compreende o nível de aptidão que o trabalhador possui para executar suas atividades laborais diárias, de acordo com as exigências do trabalho, condições físicas e mentais, bem como seu estado de saúde e está relacionada com a sua condição de saúde e o contexto profissional, é imperativo que os serviços de segurança e a saúde no trabalho conheçam e entendam as relações entre as condições de trabalho e a saúde e o bem- estar dos trabalhadores a nível das empresas. A medida de Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) é considerada no meio científico como um importante instrumento para a investigação e avaliação da saúde ocupacional dos indivíduos, de forma holística. A Gestão do risco deve ter sempre uma abordagem sistémica e integrada considerando o trabalhador como o elemento central da prestação de cuidados e a análise da situação real de trabalho. Só assim se poderá reconhecer, por exemplo a complexidade intrínseca à maioria das atividades desempenhadas, a elevada carga de trabalho (física, psíquicas e mental) dos profissionais, a frequente inadequação do ambiente, condições e exigências físicas e/ou mentais face às características e capacidades dos utilizadores e, no geral, a inadequação dos interfaces entre o Homem e o sistema, por exemplo a nível do design, dos layouts, dos equipamentos, dos instrumentos e dos meios e formas de comunicação. Estabelecer uma ligação entre a vigilância médica e a monitorização do ambiente de trabalho ajuda a determinar a exposição dos trabalhadores a perigos para a saúde e se uma determinada doença contraída pelos trabalhadores está relacionada com a atividade que desempenham, contribuindo também para evitar a recorrência da doença entre outros trabalhadores. Asmedidas de prevenção devem ter emconta a especificidade de cada empresa e direcionadas para os riscos encontrados - para componente material do trabalho – as medidas Técnicas (como sistemas de ventilação, equipamento automatizado, materiais com dispositivos de segurança, substituição de agentes perigosos por outros com menor perigosidade); Medidas para a Organização do Trabalho (politicas e procedimentos, formação e treinamento, programas de vigilância da saúde, manutenção preventiva de instalações e equipamentos, mudança dos layouts dos postos de trabalho, etc.) e de medidas para a Protecção Individual dos trabalhadores (Luvas, mascaras respiradoras, roupas, etc.). Considerando que o problema das doenças ligadas ao Trabalho não é só uma responsabilidade dos serviços de saúde ocupacional, torna-se fundamental a promoção da apropriação, envolvimento e a participação ativa de todos os intervenientes – Órgãos de Administração e Gestão da empresa, chefias intermedias e trabalhadores. Só assim se poderá potenciar a criação de locais de trabalho promotores de saúde que valorizem o trabalho como factor salutogénico e aumentar a Qualidade de vida no Trabalho.
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