Magazine Risco Zero nº16
/27 A OMS define Qualidade de Vida (QV) como sendo “a percepção que um indivíduo tem sobre a sua posição na vida, dentro do contexto dos sistemas de cultura e valores nos quais está inserido e em relação aos seus objectivos, expectativas, padrões e preocupações”. A QV está então diretamente relacionada a aspectos económicos, socioculturais, à experiência pessoal e ao estilo de vida, considerando-se assim que a Qualidade de Vida resulta da conjugação dos diversos fatores que proporcionam equilíbrio e bem-estar ao ser humano. O bem-estar subjetivo reflete a avaliação geral que uma pessoa tem sobre a sua qualidade de vida, felicidade e satisfação. A Qualidade de vida no Trabalho está então associada à satisfação dos trabalhadores no desempenho das suas funções e envolve vários fatores como: a Satisfação com o trabalho executado, as possibilidade de futuro na organização, o reconhecimento pelos resultados alcançados, o salário recebido, os benefícios auferidos, o relacionamento humano dentro da equipe e da organização, o ambiente psicológico e físico de trabalho, a liberdade de atuar e responsabilidade de tomar decisões e a possibilidade de estar engajado e de participar ativamente na organização. O trabalho absorve grande parte da nossa vida adulta, e congrega todos os aspectos físicos, psicológicos, emocionais e sociais do bem-estar do indivíduo, pelo que as condições de trabalho e as diferenças individuais influenciam na saúde e o bem-estar dos trabalhadores. Esta interação ocorre por processos prejudiciais à saúde (esgotamento) e processos motivacionais (envolvimento). Os processos prejudiciais à saúde estão associados à exposição a exigências de trabalho adversas; os processos motivacionais estão associados ao acesso a recursos de trabalho que sustentam o envolvimento. As exigências de trabalho tendem a acentuar o esgotamento (que está associado a um pior estado de saúde e bem-estar), enquanto os recursos de trabalho significam um maior envolvimento no trabalho e um melhor bem-estar e QVT. Sabe-se que a exposição ocupacional a riscos físicos e altas exigências psicossociais no trabalho, estão associadas a um maior risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, das lesões musculoesqueléticas e das doenças mentais e, portanto, têm um impacto direto na saúde e bem-estar dos trabalhadores. A influência de outras condições de trabalho na saúde e no bem-estar é de natureza indireta. A saúde dos trabalhadores é uma preocupação social histórica e as políticas de saúde e segurança no Trabalho integram- se dentro dos direitos fundamentais tais como o direito a vida e a integridade física, o direito ao trabalho e o direito a saúde. Desde 1950 em que foi criada a definição de saúde Ocupacional pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e OMS, os Países têm vindo a reconhecer a proteção da saúde dos trabalhadores como de suprema importância para a produtividade, competitividade e sustentabilidade das empresas e comunidades, assim como para as economias nacionais e regionais. Em Angola, o decreto 31/94 de 5 de agosto e o decreto - executivo nº 6/96 de 2 de fevereiro - estabelecem os princípios que visam a promoção de segurança, higiene e saúde no trabalho, considerando o trabalhador como elemento central do sistema e priorizando a salubridade do ambiente de trabalho como um fator relevante em matéria de saúde e bem-estar para a adaptação do trabalho às capacidades dos trabalhadores tendo em conta o seu estado de saúde físico e mental. No entanto, as estimativas da Organização Internacional do Trabalho ainda mostram que anualmente morrem quase dois milhões de trabalhadores por doenças “ligadas ao trabalho, com custos elevados para os trabalhadores e famílias, empresas e Países no geral. Estas doenças “ligadas” ao trabalho abrangemum conjunto de entidades que englobam os acidentes de trabalho, as doenças profissionais, as “doenças relacionadas com o trabalho” e as “doenças agravadas pelo trabalho”. Tratam-se, portanto, de situações em que os fatores de risco profissionais contribuem, de alguma forma, para a causa ou o agravamento dessas alterações da saúde, independentemente de estarem na sua origem ou de interferirem com a respetiva evolução. A manutenção destas estatísticas ao longo dos anos, levaram a evolução do conceito inicial de saúde ocupacional, que tinha um foco quase exclusivo sobre o ambiente físico de trabalho para a inclusão de fatores psicossociais e de práticas de saúde individual, passando o ambiente de trabalho a ser usado como um espaço para promoção de saúde e para atividades preventivas de saúde. A promoção da capacidade para o trabalho passa a ser considerada como um elemento fundamental para a melhoria da Qualidade de vida no Trabalho.
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