Magazine Risco Zero nº16

/15 Dr. Telmo dos Santos × Responsável do Departamento de Saúde, Segurança e Ambiente da multinacional Angolana Unitel SA, gestor das áreas de Saúde Ocupacio- nal, Higiene e Segurança no Trabalho, Medicina e Psicologia do Trabalho e do Trânsito, Segurança Rodoviária, Sustentabilidade e Responsabili- dade Ambiental. × Técnico Superior de Saúde e Segurança Ocupacional e Mestre em Gestão Ambiental, Saúde e Segurança Ocupacional, pela Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade de Sunderland, Londres e Doutorando em Psicologia pela Atlantic International University, nos EUA. × Especializado em Higiene Industrial pela Faculdade de Higiene Industrial de Londres e tem as certificações internacionais da NEBOSH e IOSH. × Docente Universitário, rosto de várias conferências nacionais e internacionais e autor de vários artigos técnicos sobre segurança rodoviária, ambiente, saúde e segurança no trabalho. × Trabalhou durante 10 anos na petrolífera BP, é Vogal da Direcção da AAMGA (Associação Angolana de Manutenção e Gestão de Activos), membro da Comissão Instaladora da AASSO (Associação Angolana de Segurança e Saúde Ocupacional) e membro do Núcleo Autónomo de Segurança no Trabalho da APSEI (Associação Portuguesa de Segurança). Violência (verbal e física), desrespeito pelas leis, egoísmo, falta de educação, de respeito e de cortesia pelas pessoas, condução agressiva, pressa excessiva, falta de paciência e indisciplina no trânsito, são alguns dos graves problemas que enfrentamos todos os dias. E o mais agravante é que o trânsito é apenas o reflexo da nossa sociedade. As nossas acções podem ajudar não apenas a aliviar o stress e garantir qualidade de vida para os outros utentes da via pública, mas antes de tudo, para nós mesmos. Por exemplo, um indivíduo com família que mora no Kilamba e trabalha no Centro da Cidade, que acorda às 5h da manhã e gere uma série de pressupostos de logística doméstica e não só desde a hora que acorda, ainda tem de aturar um trânsito de no mínimo uma hora até ao local de trabalho (num dia normal sem chuva), com todos os constrangimentos que o percurso acarreta. Ao chegar ao seu local de trabalho, pode já estar com os níveis de stress, ansiedade e nervosismo elevados. No trajecto de regresso a casa, é exactamente a mesma situação. E está comprovado que o stress constante e elevado, contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Por outro lado os dermatologistas descobriram que muitas condições da pele, como urticária e eczema, estão relacionadas ao stress. Acredita-se que o stress é uma causa comum de problemas de saúde do dia- a-dia, como dor de cabeça, dor nas costas, dor de estômago, diarréia, insônia e perda do desejo sexual. O stress pode, também, desencadear doenças auto- -imunes como psoríase e lúpus. Pensando, então, na qualidadedevidadosusuáriosdo trânsito, algumas técnicas ajudam a reduzir o nível do stress e as suas consequências. Essas técnicas seriam como uma (re)educação nas atitudes de cada uma das partes que integram o trânsito. Para os motoristas vale a pena planear o itinerário antes de sair de casa evitando utilizar vias de maior tráfego em horários de pico. Experimentar o uso de diferentes modos de transporte também pode ser válido. Outra maneira de aliviar a tensão do trânsito é escutar uma música durante o trajecto, sempre cuidando, como é evidente, para não perder a atenção na condução. Para os usuários de transporte público , a infraestrutura precária de transportes públicos pode contribuir para o stress. Entretanto ler um bom livro durante o caminho ajuda a passar o tempo. Ouvir música também ajuda a relaxar. Mas principalmente, não se deve programar um trajeto para ser realizado em um tempo muito curto. É sempre válido ter uma margem de segurança para ser gasta caso imprevistos aconteçam. Caso não tenha como evitar o trânsito pesado e lento, vale a frase de Pedro Bial que diz: “…saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra.” Para os pedestres vale o bom senso. Como a parte mais fraca do trânsito não se deve tentar atravessar a rua em lugares muito movimentados e fora da passadeira ou quando o sinal para peões estiver no vermelho. Todos podemos de alguma forma contribuir para uma melhor qualidade de vida no trânsito e fazer de tudo para não prejudicar a nossa saúde e bem-estar e a dos outros.

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