Magazine Risco Zero nº16
magazine risco zero O trânsito é hoje um tema muito discutido por conta da sua relevância na vida activa das pessoas, naeconomiadasdiferentes sociedades, nos vários modelos e projectos de mobilidade urbana, no impacto que causa nos diferentes sectores, sem esquecer que é um factor crítico para a saúde, namedida emque pode ser a causa ou agravamento de muitos males para a saúde. Dr. Telmo dos Santos QUALIDADE DE VIDA NO TRÂNSITO ARTIGO TÉCNICO Um estudo muito interessante do ano passado, feito pelas universidades Federal do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina (Brasil) e a Oxford Brookes University (Inglaterra) aponta que a mobilidade urbana precária afecta negativamente a qualidade de vida e o bem-estar das pessoas e que são necessárias medidas para melhorar a malha urbana para permitir aos moradores uma mobilidade urbana saudável. Pode parecer absurdo, mas efectivamente os padrões de mobilidade urbana têm uma influência significativa não apenas na qualidade de vida, mas também na componente de saúde física, mental e um impacto directo nos custos com o tratamento de muitos problemas de saúde. Porém, Países que têm padrões de mobilidade de referência e bastante evoluídos, obtiveram vários benefícios no bem- estar e na qualidade de vida das pessoas e uma ajuda sem igual na prevenção de doenças crônicas como obesidade, diabetes, hipertensão, stress e outras associadas ao estilo de vida. Por outro lado, o trânsito das grandes metrópoles tem também um alto custo para os sectores comerciais, cuja logística acaba encarecida pelos engarrafamentos. O curioso é que é possível medir o impacto do trânsito para o bem-estar em termos comerciais. Segundo o Economista Ricardo Campante Vale, que na sua pesquisa em São Paulo calculou que os atrasos causados pelo trânsito parado geram um “custo de bem-estar” equivalente a R$ 7,338 bilhões por ano. Por trabalhador, o prejuízo é de R$ 747 a cada ano, quase o equivalente a um salário mínimo (R$ 954, em agosto de 2018). Não tenho dúvidas que o tema da mobilidade urbana assenta no trinómio infraestrutura, educação e fiscalização. Todavia, este artigo focará mais no pilar educação para uma melhor qualidade de vida no trânsito, não obstante os inúmeros constrangimentos que temos de enfrentar todos os dias pela ausência dos outros dois pilares (infraestrutura e fiscalização). Antes da Revolução Industrial, o trânsito nas cidades era composto por carroças, cavaleiros e pedestres, sendo o índice de acidentes rodoviários praticamente nulo. Não havia necessidade de sinalização de segurança e a qualidade de vida da época não era prejudicada pelos acidentes de trânsito ou ainda pelo stress causado por ele. Obviamente, a não existência de meios de transporte eficientes dificultava o comércio, segurança e a própria educação. Com o advento do motor a vapor, as relações que antes eram prejudicadas pela demora nos meios de transporte se tornaram mais eficientes e dinâmicas. Com a modernização dos motores e a popularização dos carros, o trânsito teve que ser controlado e regulado para não se tornar prejudicial à sociedade. Nos dias actuais, nos deparamos com uma grande preocupação com relação a qualidade de vida e o prejuízo causado pelo trânsito.
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