Magazine Risco Zero Nº 14

/9 ENTREVISTA A Dra. MARA QUIOSA Governadora da Província do Bengo Qual é o papel da mulher rural no desenvolvimento das famílias e da sociedade? O papel que a mulher rural desempenha assume uma grande importância em qualquer socieda- de. Porém, essa relevância varia em função das características da própria sociedade onde ela está inserida. Ou seja, depende do nível social e económico do meio envolvente. A acção da mulher ru- ral pode ser mais significativa nos países em vias de desenvolvimento, onde a agricultura familiar tem grande preponderância. Nesses casos, a sua intervenção assume um carácter nuclear, pois dela depende, fundamentalmente, a estabilidade do núcleo familiar. O mesmo já não acontece em nações mais evoluídas tecnologicamente e com estágios de sofisticação mais elevados. Não considera a formação da mulher rural um impulsionador de uma melhor dinâmica na vida das comunidades rurais, com impacto positivo ao êxodo rural para as cidades? Partindo do pressuposto que já adiantei, do reconhecimento do papel fulcral da mulher na co- munidade rural, quanto maior for a sua formação, maior será a sua capacidade de transformação positiva. Com resultados visíveis na redução do êxodo do campo para a cidade. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura - FAO estima que a mu- lher rural é responsável pela produção de mais da metade de alimentos a nível mundial. Ainda assim, é esta mesma mulher que enfrenta situações de desigualdade no seio da comunidade. Como encara esta situação e qual seria o papel dos poderes públicos na mitigação do proble- ma e na promoção da mulher rural? Cabe fundamentalmente aos poderes públicos definir e implementar políticas e estratégias, que resultem no empoderamento da mulher no geral. A abordagem da questão do género no meio rural enfrenta ainda mais tabus do que no meio urbano. Não obstante o reconhecimento da sua participação nos processos produtivos, a mulher continua ainda muito subalternizada, por razões de ordem histórica que exigem uma mudança de mentalidade. Considera que um desenvolvimento sustentável do nosso país devia colocar o meio rural e o campo como pontos de partida da acção governativa, por ser de lá que a indústria obtém a sua matéria-prima? Na minha opinião o meio rural deve ser visto como ponto de partida mas também de chegada. Uma dinâmica em dois sentidos. Já que o campo necessita igualmente de tecnologia e industria- lização. Aproveitando as vantagens que estas podem acrescentar, a acção governativa deve olhar nas duas perspectivas. Isso facilita a sustentabilidade.

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