Magazine Risco Zero Nº 14
magazine risco zero Acha que a cultura dos nossos povos e, em particular aqueles traços culturais relativos à mulher rural, contêm factores que retardam o desenvolvimento da própria mu- lher? Sim. É inevitável. Temos ainda muito trabalho pela frente para alterar esses condicionantes. Não é uma luta fácil, mas necessária que exige algum tempo e ferramentas adequa- das. A educação é a ferramenta mais eficaz. Qual tem sido o papel do Governo Provincial do Bengo na promoção da mulher rural e daquelas inseridas nas diversas comunidades mais afastadas do Município sede (Dande)? Como sabem o território da província do Bengo é maiorita- riamente rural. Uma razão maior para que o Governo Pro- vincial do Bengo esteja alinhado com as políticas públicas orientadas pelo Executivo central, para o fortalecimento da segurança sócio-económica da mulher rural, procu- rando através do diálogo, acolher aquelas que são as suas preocupações e expectativas. E através das administrações municipais e comunais procuramos materializar, junto das comunidades, as recomendações sobre a matéria, que estão plasmadas no Plano de Desenvolvimento Nacional. Quais são os principais desafios enfrentados pela mulher rural? (transporte: longas caminhadas e transporte ma- nual de carga, o confronto com os grandes fazendeiros) No caso do Bengo não se coloca com grande incidência a questão dos conflitos com grandes latifundiários. As maio- res dificuldades ainda se registam na carência de meios de transportação de pessoas e produtos. Relativamente à convivência familiar no lar e atentos às normas ligadas às nossas raízes culturais, pode a mulher rural angolana ser considerada ainda não emancipada? Temos ainda muito trabalho a realizar para concretizar o conceito de emancipação da mulher no campo. Algumas normas tradicionais representam obstáculos nesse sentido. Mas as novas gerações estão paulatinamente a inverter o quadro. A jovem rural já procura ter acesso ao telemóvel e TV por satélite. A comunicação ajuda nesse aspecto. O bem-estar do ser humano, em geral, e da mulher, em particular, compreende dentre vários aspectos a compo- nente cultural. Qual tem sido o esforço despendido pelo Governo Provincial do Bengo face ao processo de integra- ção da mulher rural nas actividades culturais da Provín- cia? Como disse anteriormente, a componente rural é bastante expressiva no seio da população da nossa província. E as mulheres são a maioria. Elas representam um verdadeiro motor na dinâmica social e cultural do Bengo. Enquanto parceiras do governo, desenvolvemos um trabalho conjunto em todas as vertentes, incluindo obviamente a cultura, onde estão muito presentes, nas diferentes expressões. A compo- sição dos grupos carnavalescos locais é um exemplo disso mesmo e nós damos todo o apoio institucional e material. "Cabe fundamentalmente aos poderes públicos definir e implementar políticas e estratégias, que resultem no empoderamento da mulher no geral." Dra. Mara Quiosa × Governadora da Província do Bengo × Natural de Luanda × Formada em Sociologia pela Universidade Agostinho Neto × Foi Administradora do Sambizanga e vice-presidente para a área Política, Social, Assuntos Comunitários e Ambiente da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda
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