Magazine Risco Zero Nº 14

/43 Eng. Igor Martins × Natural de Luanda, Angola. × Licenciado em engenharia Mecatrónica pela Universidade Metodista de Angola. × Técnico superior de Segurança Higiene e Saúde no Trabalho na NWA- Networking Angola. × Desempenho funções de técnico e formador de Segurança. As mulheres, de forma rotineira, também são vítimas de discriminação nos mercados de trabalho rurais e são as responsáveis pela maior parte do trabalho não remunerado, já que ficam também à frente dos cuidados dentro de suas casas, dos filhos e dos afazeres domésticos. Esses fatores contribuem significativamente para diminuir a capacidade das mulheres de cooperar com a produção agrícola e o desenvolvimento rural. Mas é possível reverter esse quadro? Para a Organização para a Alimentação e Agricultura das NaçõesUnidas (FAO), a igualdadedegênero requer condições de igualdade entre homens e mulheres no processo de tomada de decisões; na capacidade de exercer direitos humanos; no acesso a recursos e benefícios de desenvolvimento, bem como a administração e oportunidades no local de trabalho e em todos os outros aspectos relacionados aos meios de subsistência. Nos últimos anos, a Organização tem adotado medidas que possibilitam a integração das questões de gênero no centro dos programas e de políticas de desenvolvimento. O trabalho da FAO vai alémdas “questões inerentes àmulher” e foca também em áreas que, até então, eram consideradas neutras em termos de gênero, como a agronomia ou a formulação de políticas econômicas específicas. Como parte desse processo de entender e estudar as mulheres rurais, a FAO tem constatado que, quando as produtoras conseguem ter acesso igual ao dos homens a recursos produtivos e financeiros, oportunidades de renda, educação e serviços, há um aumento considerável na produção agrícola e uma redução significativa no número de pessoas pobres e com fome. Sendo assim, surge a necessidade dos países adotarem diversas políticas públicas para garantir, a autonomia e a igualdade de género para as mulheres rurais. Em Angola a FAO trabalha em estreita colaboração com o Ministério da Agricultura (MINAGRI) e colabora com outros actores nacionais, incluindo o Ministério do Ambiente (MINAB), o Ministério da Família e Promoção da Mulher (MIFPM), o Ministério das Pescas, a Secretaria de Estado para os Assuntos Sociais; bem como de organizações não- governamentais, como a ADPP, ADRA, CODESPA. A FAO tem laços estreitos com outros parceiros de desenvolvimento, incluindo agências das Nações Unidas e outros parceiros multilaterais e bilaterais. Manter essas e outras políticas, além de aprofundá-las, são os desafios que surgem no futuro, além da luta contra a fome e a pobreza, um dos principais desafios postos pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aprovados pelos países das Nações Unidas em 2015. O cumprimento dos ODS se torna a cada dia mais necessário, justamente agora, um período em que a FAO voltou a constatar um aumento no número de pessoas que passam fome no mundo. Esse crescimento está relacionado em grande parte à proliferação de conflitos violentos e aos efeitos causados pelas mudanças climáticas. Ambos os casos levam milhares de pessoas a terem que deixar suas terras e migrarem para sobreviver. E nessa parcela de imigrantes, está um número expressivo de mulheres do campo e da cidade. Para concluir, é necessário estarmos atentos e criar mecanismos para promover a mulher no meio rural e dinamizar o desenvolvimento socio – económico do pais, no combate a pobreza, na reconstrução nacional, harmonização das famílias e na preservação e conservação da natureza, para garantir equilíbrio de ambiente sustentável.

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