Magazine Risco Zero Nº 14
As mulheres, em Angola, podem ter um efectivo contributo na sociedade através do desempenho de funções nos diversos sectores profissionais existentes. Procriar e criar as crianças são papéis tradicionalmente atribuídos à mulher e não há evidências de que não sejam capazes de conjugar estes papéis com a actividade laboral. Torna-se primordial quebrar o ciclo da iliteracia, pobreza e doença que comprometem o direito das mulheres à saúde e deixa oculto o potencial feminino. Não sendo a amostra do estudo representativa da população os resultados não são generalizáveis, contudo, os dados obtidos no diagnóstico de situação de saúde vão de encontro aos nacionais, publicados pelo INE, no que se refere ao baixo grau académico do género feminino, comparativamente ao masculino; à sua fraca inserção no mercado de trabalho; bem como à tendência para ocuparem cargos no sector primário, indiciando um vasto campo de intervenção. Neste sentido, este estudo pode possibilitar a reflexão acerca da necessidade de melhorar o estatuto social das pessoas em geral e das mulheres em particular, nomeadamente através da capacitação, que deriva da educação e participação em todas as esferas profissionais. Atendendo a que o diagnóstico de situação de saúde da comunidade não foi realizado com o objectivo específico de estudar esta temática em concreto e foi realizado apenas num bairro da cidade de Luanda, considera-se importante a realização de mais estudos que abranjam outras províncias, aprofundando assim a problemática e espelhando a dimensão do fenómeno. Sugere-se ainda que, em estudos posteriores, se procurem associações entre o estado civil, idade e número de filhos com o grau académico e emprego. O diagnóstico de saúde de uma população aponta para a situação presente, criando uma referência para o futuro e permitindo orientar as intervenções de saúde, no sentido de responder às necessidades da população. A este nível a enfermagem de saúde comunitária, que desenvolve uma prática globalizante centrada na comunidade, tem uma responsabilidade ímpar já que os profissionais desta área são, por excelência, detentores de competências que permitem a consciencialização das famílias, no sentido de apostar na educação em geral e na do género feminino em particular, bem como no incentivo à inserção da mulher no mercado de trabalho, com vista ao empoderamento, exercício da cidadania responsável e melhores condições socioeconómicas e de saúde. 1. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (2019). Objectivos do desenvolvimento sustentável. Objectivo 5: igualdade de género. Disponível em www.ao.undp.org/content/angola/ pt/home/sustainable-development-goals/goal-5-gender-equality.html 2. Organização Mundial da Saúde (2012). Enfrentar o Desafio da Saúde da Mulher em África. Relatório da Comissão da Saúde da Mulher na Região Africana. Escritório Regional da OMS para a África. 3. 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