Magazine Risco Zero Nº13

extensão, aumentando sonhos e aspirações? Mas correndo o risco do desenvolvimento de expectativas irrealistas que, perante a sua não concretização, se convertem na emergên- cia de uma crise sem precedentes num sistema pessoal, já de si bastante vulnerável? Ou ajudar a explorar as opções existentes, a co-construir caminhos possíveis, promovendo a aquisição de ferramentas indispensáveis para vingar e vencer na franja do sistema de oportunidades para si reser- vada? Agente normalizador ao serviço do status quo. Será isso que somos? Ao reflectir existem sempre dois níveis de análise que po- dem ser adoptados como referido anteriormente: um nível mais macro e abstracto, que coloca questões e procura os sentidos universais que ansiamos, tão latos que permitem a inclusão de tudo, e outro nível mais micro, centrado na proximidade, no concreto, no in loco, encontrando (ou cons- truindo) sentidos e significados pessoais para os eventos que vivenciamos, um a um, esperando que o somatório con- tribua para a emergência de um grande sentido. Não po- demos adoptar os dois níveis de análise simultaneamente, mas talvez o equilíbrio se encontre na alternância entre o zoom out, que nos permite uma visão global e potencia o uso da humanidade sob a forma nobre de consciência, mas que acarreta muitas vezes o sofrimento e a insegurança de não encontrar respostas para as perguntas colocadas; e o zoom in, iluminando zonas mais próximas que, frequente- mente, porque férteis em significados, nos maximizam o sentido de esperança e confiança. Ora, o reflectir sobre a formação/educação não é excepção. E podemos analisar a nossa intervenção fazendo mais ou menos zoom out, mais ou menos zoom in. É o zoom out que nos permite reflectir sobre o papel do formador no de- senvolvimento de competências de pessoais e sociais e no caminho a adoptar nesta orientação pedagógica com os formados. O encontrar de respostas através da lente mais distante é o objectivo mais ambicionado: significaria que a intervenção se encontrava vestida com a segurança do Sen- tido que não está dependente de flutuações circunstanciais. Porém, é também o zoom out que coloca a olho nu as dú- vidas anteriormente expostas, potenciando a consciência, mas maximizando a insegurança pelo não encontrar de res- postas. Temos feito o esforço conjunto de nos situarmos mais ao nível de análise do zoom in - e ver, sentir e atestar o impacto que (já) estamos a ter na vida dos colaborado- res que connosco trabalham. Deste modo, fazendo zoom in até à nitidez do concreto da vida dos colaboradores, vemos que o aluno que traz, numa folha já amachucada, a requisição para o Armazém de Mate- riais e já lê o que lá está; vemos a participação das pessoas; sentimos a sua segurança porque hoje, após saberem ler e escrever, saíram da escuridão. Vemos as respostas que dão, integrando conteúdos de sessões anteriores. Vemos o sorri- so tímido quando valorizamos as suas experiências de vida, as competências que desenvolveram… Quando nos dizem que sabem ler uma receita, que conseguem abrir uma conta no banco porque sabem assinar o seu nome…. Constatamos o interesse e significância dado pelos responsáveis. Vemos os colegas, que ali se conheceram, a conversar no corredor da entrada. Alguém que nos toca profundamente, pelo me- lhor ou pelo pior, nunca nos deixa completamente. Levamos esse alguém no nosso coração e ele leva-nos no seu. Talvez nos devamos agarrar a este sentido: aquele que é extraído pelas pessoas com as quais trabalhamos. Talvez só por isso já valha a pena. Aluna do Programa de Alfabetização e Aceleração Escolar, em Benguela, a estudar com a sua filha. Alunos do Programa de Alfabetização e Aceleração Escolar da Província de Luanda: Viana: Actividade de entrega dos Certificados do Módulo I e Módulo II, em Agosto de 2018. magazine risco zero

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