Magazine Risco Zero #36

SUPLEMENTO SHST Eng.ª Cristina Pedro Pascoal da Costa Formada em engenharia ambiente e de segurança no trabalho, com formação internacional da NEBOSH e vários cursos nas áreas de Qualidade, Saúde, Segurança e Ambiente. Com mais de +5 anos de experiência de trabalho com engenheira ambiental na Indústria da Construção Civil e atualmente na Indústria de Petróleo e Gás com quase 10 anos de experiência de trabalho com conhecimento nas áreas de Qualidade, Saúde, Segurança e Ambiente como profissional. Extrovertido e detalhista, proficiente na construção e manutenção de relações profissionais. magazine risco zero Do ponto de vista técnico, esta desconexão entre risco real e risco percebido é frequentemente agravada por estratégias de monitorização insuficientes. A realização de medições pontuais, muitas vezes orientadas apenas para cumprimento de requisitos legais, não permite caracterizar de forma robusta a exposição ocupacional ao longo do tempo. A variabilidade operacional, associada a tarefas de curta duração mas elevada intensidade, pode conduzir a uma subavaliação sistemática da dose efetiva de exposição, comprometendo a eficácia das medidas de controlo implementadas. Paralelamente, observa-se, em alguns contextos, uma dependência excessiva de equipamentos de proteção individual (EPI) como principal barreira demitigação. Embora essenciais noquadroda hierarquia de controlode riscos, os EPI não eliminam o perigo na fonte e estão sujeitos a limitações relacionadas com uso incorreto, desgaste, adaptação ao utilizador e condições ambientais. A sua utilização como medida predominante pode induzir uma perceção ilusória de segurança, desviando o foco das soluções de engenharia e das estratégias de prevenção na origem. Importa igualmente reconhecer que os valores limite de exposição ocupacional, apesar de serem referências técnicas fundamentais, não constituem garantias absolutas de ausência de risco. A sua interpretação deve ser feita de forma crítica, considerando fatores como exposições combinadas, suscetibilidade individual e condições específicas de trabalho e do posto. A coexistência de múltiplos agentes, compossíveis efeitos sinérgicos, reforça a necessidade de abordagens mais integradas e conservadoras na avaliação do risco. Neste contexto, a evolução da cultura de segurança torna-se determinante. A gestão eficaz da exposição ocupacional exige não apenas conformidade, mas uma abordagem proativa assente na monitorização contínua, no uso de tecnologias de deteção avançadas e na análise sistemática de dados operacionais. A digitalização dos processos de segurança pode desempenhar um papel extremamente importante e relevante, permitindo identificar tendências, antecipar desvios e suportar decisões baseadas em evidência. Adicionalmente, a comunicação de risco deve ser fortalecida, tornando os perigos invisíveis mais tangíveis para os trabalhadores e restantes intervenientes do processo. Promover a literacia em saúde ocupacional é essencial para combater a complacência e reforçar comportamentos seguros, sobretudo em ambientes onde o risco não é imediatamente percetível. Em última análise, o principal desafio reside menos na identificação técnica dos riscos e mais na forma como estes são percecionados e priorizados no contexto operacional. A ausência de sinais visíveis não traduz ausência de perigo, mas sim uma maior exigência na identificação, comunicação e prevenção. Porque, na segurança e saúde no trabalho, aquilo que não se vê pode ser, precisamente, o que mais importa controlar.

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