Magazine Risco Zero #36
Eng.ª Cristina Pedro Pascoal da Costa magazine risco zero SUPLEMENTO SHST O INVISÍVEL NÃO É INOFENSIVO: A NORMALIZAÇÃO DA EXPOSIÇÃO OCUAPACIONAL NO SETOR INDUSTRIAL No contexto industrial, a identificação do risco está frequentemente associada a perigos evidentes: equipamentos em movimento, trabalhos em altura ou operações com cargas suspensas. No entanto, uma parte significativa dos riscos ocupacionais mais críticos permanece fora do campo visual imediato. A exposição a agentes físicos, químicos e radiológicos continua, em muitos cenários operacionais, a ser subvalorizada - precisamente por não apresentar sinais sensoriais diretos, nem efeitos imediatos claramente observáveis. Esta ausência de evidência tangível favorece um fenómeno recorrente em ambientes industriais: a normalização da exposição ocupacional. Quando determinadas tarefas são executadas de forma repetitiva, sem incidentes visíveis ou consequências imediatas, instala-se uma perceção de segurança que nem sempre corresponde ao nível real de risco. A inexistência de efeitos agudos reforça a ideia de controlo, desvalorizando os impactos cumulativos que podem manifestar-se apenas a médio ou longo prazo, muitas vezes sob a forma de doenças profissionais. No setor dagestãode resíduos industriais - particularmente em operações que envolvem corte de tubagens, descontaminação e manuseamento de materiais com potencial presença de NORM - este desafio assume contornos mais complexos. A presença de poeiras respiráveis, aerossóis contaminados, resíduos químicos e níveis de radiação de baixa intensidade pode não ser percetível sem o recurso a instrumentação específica. Assim, o risco deixa de ser avaliado com base na exposição real e passa a depender, em grande medida, da perceção individual e da maturidade da cultura de segurança instalada naquele posto de trabalho ou Empresa.
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