Magazine Risco Zero #36

Hoje, o ESG deixou de ser visto apenas como uma forma de “fazer o bem”, para passar a ser entendido como uma componente essencial da sustentabilidade e resiliência das organizações. Contudo, para que esses impactos possam ser geridos foi necessário começar a medi-los. Surgiram assim diversos indicadores destinados a avaliar o impacto das organizações no ambiente, na sociedade e nas pessoas que, direta ou indiretamente, são afetadas pela sua atividade. Indicadores como emissões de CO₂, consumo energético, consumo de água, gestão de resíduos, igualdade de oportunidades, segurança e saúde no trabalho, diversidade ou ética organizacional passaram a transformar dimensões anteriormente abstratas em informação concreta e mensurável. O acompanhamento destas métricas ESG permitem às organizações definir objetivos, acompanhar resultados, identificar riscos e promover uma cultura organizacional mais responsável e sustentável. Medir emissões de carbono permite compreender o impacto ambiental de uma atividade e estabelecer metas de redução. Avaliar índices de acidentes de trabalho ou níveis de absentismo permite identificar problemas relacionados com condições laborais e saúde ocupacional. Monitorizar indicadores de diversidade ou igualdade de oportunidades ajuda a perceber se existem desequilíbrios estruturais dentro da organização. Da mesma forma, mecanismos de controlo ético e de governança permitem reduzir riscos associados a corrupção, fraude ou perda de confiança institucional. Afinal, aquilo que uma organização decide medir revela também aquilo que considera importante. O que não se vê dificilmente se discute, o que não se discute raramente se torna prioridade e, consequentemente, o que não se mede dificilmente pode ser controlado ou transformado. magazine risco zero ESG COMO “TORNAR VISÍVEL O INVISÍVEL” SUSTENTABILIDADE Dra. Diana Fereira Dra. Diana Ferreira × Consultora externa de ESG para a NWA × Responsável de Qualidade e Sustentabilidade da Box4 Durante muitos anos, as empresas concentraram-se quase exclusivamente em indicadores financeiros como lucro, produtividade, vendas, crescimento económico e retorno para acionistas. As questões ambientais, sociais e de governança existiam, mas eram muitas vezes invisíveis para a gestão pois não eram medidas, reportadas ou discutidas. O que existia era visto como filantropia, responsabilidade moral ou simples cumprimento legal. As questões ESG ganharam relevância quando as organizações perceberam que os impactos ambientais, sociais ou éticos, também geram riscos, custos e consequências reais que podem afetar a reputação e a continuidade dos negócios.

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