Magazine Risco Zero #36

magazine risco zero ALÉM DO VISÍVEL , A EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL COMO INDICADOR PRECURSOR DE FALHAS EM SEGURANÇA DE PROCESSOS. ARTIGO DE OPINIÃO A Segurança e Saúde no Trabalho tem evoluído significativamente nos últimos anos, contudo, continua a existir uma intenção para concentrar a atenção nos acidentes visíveis e nas suas consequências imediatas, enquanto muitos dos factores que comprometem a saúde dos trabalhadores permanecem silenciosos, manifestando os efeitos ao longo do tempo. É precisamente neste contexto que o tema “Exposição Ocupacional, o que não se vê, não se mede… nem controla” assume particular relevância para a realidade angolana. Dr. Victor Pimentel Moreira Lima Nos sectores petrolífero, mineiro, energético, industrial e da construção civil, os riscos mais graves nem sempre se manifestam através de eventos súbitos. A exposição continuada a agentes químicos, poeiras, fumos, vibrações, ruídos, temperaturas extremas e agentes biológicos pode produzir consequências irreversíveis para a saúde dos trabalhadores, muitas vezes apenas detectadas anos depois do contacto inicial. Sob a perspectiva da Engenharia de Process Safety Management (PSM), a exposição ocupacional não deve ser encarada apenas como uma questão de Higiene Ocupacional ou Medicina do Trabalho. Deve ser entendida como um indicador precursor de falhas de controlo operacional e um importante leading indicator de risco. Em sistemas complexos, os grandes acidentes raramente ocorrem de forma isolada; são normalmente precedidos por desvios operacionais, degradação de barreiras de segurança, perda de integridade dos sistemas de controlo e exposição continuada a perigos que não foram adequadamente identificados, avaliados ou monitorizados. Um dos princípios técnicos fundamentais do PSM estabelece que não é possível gerir eficazmente aquilo que não é medido, ou seja, tomar decições criticas com base em dados (evidências). A identificação de perigos, a avaliação da exposição, a monitorização contínua e a verificação da eficácia das barreiras de controlo constituem elementos essenciais para a prevenção de acidentes graves e doenças profissionais. Quando uma organização desconhece os níveis reais de exposição dos seus trabalhadores, está a operar com base em percepções e não em evidências. A experiência internacional demonstra que programas robustos de monitorização ocupacional contribuem não apenas para a protecção da saúde dos trabalhadores, mas também para a melhoria da fiabilidade operacional, da productividade e da sustentabilidade das organizações (ESG). A recolha sistemática de dados permite identificar as tendências, antecipar os desvios e implementar

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