Magazine Risco Zero N.º 34

/43 O que é, na prática, uma cultura de SST inclusiva? É uma forma de trabalhar onde ninguém fica de fora. Por exemplo: • Uma empresa industrial adapta os postos de trabalho para permitir que um colaborador com mobilidade reduzida possa operar máquinas em segurança. • Umarmazém instala sinalização visual e sonora para incluir trabalhadores surdos. • Um escritório oferece pausas regulares e apoio psicológico para prevenir o burnout. • A segurança só é real quando é pensada por todos e para todos. Como construir esta cultura inclusiva? 1. Diagnóstico e compromisso da liderança Tudo começa comum olhar honesto para dentro: quais são os riscos, barreiras e oportunidades? As empresas que se destacam neste campo têm algo em comum: a liderança dá o exemplo. Quando a gestão participa em formações, ouve as equipas e apoia ações inclusivas, o resto da organização segue naturalmente. 2. Políticas e práticas que refletem valores UmapolíticadeSST inclusivanão éumdocumento arquivado. É um guia vivo, que orienta decisões diárias: • Recrutar e integrar equipas diversas. • Monitorizar não só acidentes, mas também indicadores de bem-estar. • Garantir ergonomia, iluminação e equipamentos ajustáveis às necessidades de cada pessoa. 3. Envolvimento e comunicação As melhores ideias vêm de quem está no terreno. Por exemplo, numa obra, os trabalhadores podem usar uma app ou um grupo de mensagens para reportar riscos em tempo real. Pequenas ações como esta evitam acidentes e fortalecem a confiança. O segredo está em criar canais de comunicação abertos e acessíveis, onde partilhar preocupações é sinal de responsabilidade — não de fraqueza. 4. Formação e capacitação Formar não é apenas ensinar regras de segurança. É também promover empatia, respeito e consciência sobre a diversidade. Simulações, vídeos com testemunhos reais ou debates em equipa ajudam a perceber como comportamentos simples — como escutar, adaptar e apoiar — fazem toda a diferença no dia a dia. Eng.ª Cristina Ferreira × Corporate QHSE & CSR Director × Kiwa Portugal 5. Ações práticas que fazem a diferença Pequenas mudanças com grande impacto: • Rampas, sinalética inclusiva e mobiliário ajustável. • Equipamentos ergonómicos e pausas regulares para prevenir lesões. • Programas de apoio físico e mental acessíveis a todos. • Momentos de escuta ativa entre chefias e equipas. Por que investir numa cultura inclusiva de SST? Empresas que apostam na inclusão têm menos acidentes, maior produtividade e equipas mais motivadas. Além disso, alinham-se com normas internacionais como a ISO 45001, reforçando reputação e sustentabilidade. Mas, acima de tudo, é uma questão de valores humanos: colocar as pessoas no centro. Quando isso acontece, o resultado é claro — trabalhadores mais seguros, mais felizes e empresas mais fortes.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjA1NDA=