Magazine Risco Zero N.º 34

Dr. Telmo Dos Santos ARTIGO TÉCNICO A SINISTRALIDADE RODOVIÁRIA EM ANGOLA EM 2025 magazine risco zero No passado dia 15 de Outubro do corrente ano, por ocasião do início do novo ano parlamentar, o Presidente da República e Chefe de Estado de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, proferiu o tão aguardo discurso sobre o estado da nação, no ano em que Angola celebra 50 anos de Independência Nacional, alcançado em 1975 com a proclamação solene na madrugada do dia 11 de Novembro, em Luanda pelo então Presidente de Angola, Dr. António Agostinho Neto, o fundador da Nação. Entre conquistas e desafios nestes 50 anos intensos de independência, marcados inicialmente por 27 anos de guerra, um destaque saltou-me à vista no discurso: Angola registou 13.251 acidentes de viação nos últimos tempos. Esta é de facto, uma situação crítica e preocupante! Não é de admirar porque a sinistralidade rodoviária continua sendo a segunda maior causa de morte e a primeira de incapacidades, vitimando muitas pessoas, deixando o luto no seio de muitas famílias e causando o terror na sociedade e na economia nacional. Embora não exista estatística disponível e pública sobre a sinistralidade rodoviária nos anos antes da independência e do período de guerra, por diversas razões obviamente, a verdade é que nestes 50 anos de independência, o índice de sinistralidade rodoviária tem se agravado e já é a causa de muitas desgraças, tornando-se numa crise complexa e um problema de saúde pública nacional, com um fundo de grande preocupação. Só no primeiro semestre de 2025, o País registou 1.482 mortes e 6.055 acidentes rodoviários, com uma média diária de 9 a 10 mortes e 50 a 60 vítimas no total, incluindo feridos, maioritariamente registados na Cidade Capital, seguida da Província do Huambo e do Bié, com vítimas entre 36 e 45 anos, sendo homens na sua maioria e com peões e passageiros a representarem a maior fasquia, destacando o excesso de velocidade como a principal causa, seguida da condução sob efeito de álcool. Todavia registamos um decréscimo de 117 mortos em comparação ao período homólogo de 2024, mas o número total de feridos aumentou. A Polícia Nacional anunciou a criação de destacamentos de apoio nas estradas, atualização do mapeamento de postos e avaliação do uso de meios aéreos para evacuar vítimas, bem como a análise de novos regulamentos sobre tempos de condução, repouso, limites de velocidade e o lançamento um programa nacional de prevenção e combate à sinistralidade rodoviária, que envolve sensibilização da sociedade e fiscalização mais intensa, rigorosa e o reforço da importância da participação de diferentes sectores da sociedade civil, como igrejas, escolas e quartéis. Recentemente foram anunciadas medidas mais duras, como a repetição do exame de condução para prevaricadores no trânsito, perda de pontos e cassação da carta de condução, como elementos importantes no combate à sinistralidade rodoviária. É de louvar as iniciativas da actual Direcção de Trânsito e Segurança Rodoviária (DTSER), liderada pelo Comissário Abel Baptista, que incluem não apenas medidas de componente humana e com foco no condutor, mas também num outro eixo do triângulo da segurança rodoviária (homem, viatura e via pública), as viaturas, com a recente campanha em torno da inspecção periódica obrigatória, que visa garantir o cumprimento da obrigatoriedade de inspecção periódica das viaturas que circulam na via pública e que a bónus da verdade, são um ponto nevrálgico para muitos dos acidentes que acontecem, na medida em que muitas dessas viaturas não estão em estado técnico aceitável para circular na via pública, sendo a sua circulação um verdadeiro atentado à vida humana e à segurança rodoviária. É imperioso que se dinamizem acções concretas nas três componentes da segurança rodoviária em simultâneo, como um verdadeiro combate cerrado à sinistralidade rodoviária, sem tréguas, pois é um inimigo público e deve ser combatido com todas as forças. A verdade é que todos somos partes interessadas, afectadas ou potenciais afectados, directa ou indirectamente, por isso, devemos fazer parte da solução com responsabilidade e comprometimento. Seguramente todos nós já fomos vítimas de acidentes no trânsito ou temos familiares, amigos, vizinhos ou pessoas próximas que já foram. Infelizmente, muitos perderam a vida. Mas uma grande maioria vive hoje com fortes dores, traumas físicos, mentais ou emocionais, prejuízos financeiros ou materiais, atormentadoras memórias, limitações ou histórias reais traumáticas e impactantes negativamente por conta de um acidente de trânsito. Se por um lado, o Executivo está a fazer a sua parte, por outro

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