Magazine Risco Zero N.º 33
Apesar dos avanços em segurança, os acidentes de trabalho continuam a ser uma preocupação transversal a vários setores. Seja na indústria, construção civil, logística ou energia, os riscos estão lá. E, por mais protocolos que existam, o fator humano continua a ser uma variável difícil de controlar. Fadiga, desatenção, pressão de tempo ou simplesmente hábitos antigos podem comprometer a segurança num instante. E é precisamente aqui que a tecnologia pode fazer a diferença. A automação permite retirar pessoas de tarefas perigosas ou repetitivas, reduzindo a exposição ao risco. Robôs colaborativos, braços mecânicos, sistemas automáticos de movimentação de cargas ou plataformas elevatórias inteligentes são apenas alguns exemplos de como se pode proteger quem, de outra forma, estaria na linha da frente do perigo. Mas é com a inteligência artificial que damos um salto qualitativo. Sistemas baseados em IA têm a capacidade de aprender com dados históricos, identificar padrões de risco e antecipar comportamentos que, senão foremcorrigidos, podem resultar em acidente. Com sensores IoT, câmaras térmicas, wearables ou análise de vídeo em tempo real, é possível monitorizar condições ambientais, movimentações anómalas, sinais de fadiga e até o uso incorreto de equipamentos de proteção individual. Há soluções já aplicadas no terreno que, por exemplo, enviam alertas se alguém entrar numa zona restrita, se estiver exposto a níveis perigosos de calor ou ruído, ou se mostrar sinais fisiológicos de exaustão. A IA também permite integrar dados em dashboards de apoio à decisão, dando aos responsáveis de segurança informação útil, acionável e atualizada. Com isso, deixamos de atuar apenas depois do incidente, passando a prevenir com base em dados concretos. Claro que este caminho traz desafios: custos de implementação, formação das equipas, adaptação cultural e, sobretudo, a proteção da privacidade dos trabalhadores. Mas o custo de não fazer nada é, quase sempre, mais alto tanto em termos humanos como financeiros. A segurança no trabalho deve evoluir ao ritmo da tecnologia. E se temos à disposição ferramentas que nos ajudam a proteger pessoas, então temos também a responsabilidade de as usar. Porque no fim do dia, não se trata apenas de cumprir regras, trata-se de garantir que todos voltam para casa em segurança. Dr. Alexantre Ribeiro /51
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