Magazine Risco Zero N.º 33

/47 A inteligência artificial (IA), os sensores inteligentes e os dispositivos wearables já não são conceitos distantes. São realidades que permitem prever riscos, prevenir acidentes e criar ambientes de trabalho mais seguros e inteligentes. A era da segurança preditiva chegou e os RH estão na linha da frente. Segurança: de responsabilidade técnica a missão estratégica A segurança e saúde no trabalho deixaram de ser domínio exclusivo das equipas operacionais. Hoje, os profissionais de Recursos Humanos ocupam uma posição estratégica no cruzamento entre tecnologia, pessoas e cultura organizacional. Cabe-lhes garantir que a transformação digital não se limita a ganhos de eficiência, mas que se traduz também em ambientes laborais mais seguros física, emocional e eticamente. Com IA, é possível: • Identificar padrões comportamentais associados a acidentes, com base em dados como assiduidade ou rotatividade; • Monitorizar em tempo real condições de trabalho com dispositivos inteligentes que alertam para riscos físicos e psicológicos; • Avaliar o cumprimento de normas de segurança através de câmaras com visão computacional, detetando o uso (ou a ausência) de EPIs. Automação e requalificação: dupla oportunidade A automação de tarefas de elevado risco, como a movimentação de cargas, o manuseamento de substâncias perigosas ou atividades repetitivas, representa um avanço crucial na redução da exposição humana a perigos físicos. No entanto, o seu verdadeiro potencial vai além da segurança: ao libertar os colaboradores dessas funções, cria-se espaço para o desenvolvimento de competências mais estratégicas e funções de maior valor acrescentado. É precisamente neste ponto que os Recursos Humanos assumem um papel determinante. Cabe-lhes liderar, de forma proativa,programasdeupskillingereskillingquecapacitemos trabalhadores para operar com novas tecnologias, interpretar riscos digitais e interagir com sistemas automatizados de forma segura, crítica e confiante. Tecnologia sim, mas com ética e inclusão A digitalização traz também novos riscos que exigem uma resposta humana e responsável: • Sobrecarga cognitiva e fadiga digital, que podem aumentar o risco de erro e burnout; • Questões éticas e de privacidade no uso de dados sensíveis dos trabalhadores; • Desigualdade digital, que pode deixar para trás quem não domina as novas tecnologias. Os RH devem ser vigilantes e proactivos: assegurar transparência na comunicação, garantir equidade no acesso às soluções e proteger o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Cultura de segurança: onovoADNorganizacional Mais do que adotar tecnologias, é preciso criar uma cultura que valorize a segurança como princípio, e não apenas como protocolo. Os RH devem: • Envolver lideranças na gestão ativa dos riscos; • Comunicar os benefícios da tecnologia com clareza e empatia; • Ouvir os trabalhadores e adaptar as soluções às realidades do terreno. A segurança na era digital é uma construção coletiva, contínua e, sobretudo, humana. Conclusão: Inovar para proteger, liderar para cuidar A inteligência artificial representa uma oportunidade sem precedentes para reinventar a segurança no trabalho. No entanto, por mais avançada que seja, nenhuma tecnologia substitui a liderança humana, a formação contínua ou a integridade dos valores organizacionais. É responsabilidade dos Recursos Humanos assegurar que a inovação tecnológica não desumaniza, mas empodera, protege e valoriza quem está no centro de tudo: as pessoas.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjA1NDA=