Magazine Risco Zero N.º 33
/43 Surgem sem retorno, omal estar, as dores físicas e problemas de foro psicológico, nas mais diversas formas, como o burnout, o stress, a ansiedade ou o pânico, entre outras, a culpa, um ciclo vicioso, que persiste e não abandona, o esgotamento, o medo, que passa por imensos receios e impede o descanso, o tratamento e afasta as possibilidades de ajuda, o reconhecimento da incompetência, que alavanca de forma desenfreada a necessidade de mais e mais trabalho, logo mais cansaço, mais proximidade ao abismo. Estas referências, estas evidências, conjugadas com a pressão, a angústia de não cumprir os objetivos definidos, a ausência de pausas, o imenso esforço, o elevado volume de trabalho, o potenciar de conflitos no seio familiar e no ambiente de trabalho, conjugamos ingredientes necessários para o caos, para o desastre, a perda de consciência, a proximidade ao abismo, a ausência de luz, uma força, uma corrente, que urge contrariar e que permita o retorno a locais de trabalho, seguros e saudáveis. Perante tal realidade, é imprescindível que as empresas, os empregadores reconheçam e detetam estes desvios, estas situações absolutamente injustas e lamentáveis, que implantem verdadeiras culturas de segurança. Potenciar sistemas eficazes, de informação e de formação, de boas práticas, de tarefas com horários e número de horas compatíveis, de apoios sociais e acompanhamentos permanentes, onde os riscos psicossociais devem ser abordados de forma coerente e responsável. Criar ambientes de trabalho, de partilha, onde seja bom trabalhar, estar e evoluir, numa matriz de criação de riqueza e justiça social, uma dinâmica que promova a interação entre todos os intervenientes, onde as lideranças, as chefias e os trabalhadores, sejam verdadeiros ativos, um contributo a considerar em cada ato, em cada acção, em cada campanha, que promova segurança e o bem-estar nos locais de trabalho, independentemente da sua dimensão, do sistema produtivo ou da sua localização. Relembrar que o cérebro humano, assenta num processo interno de segurança, que rejeita de forma natural os sintomas de exaustão, de stress e de perigos graves, cuja intensidade, alavanca momentos geradores de conflitos e estados de alarme, cujos efeitos e consequências são absolutamente assustadoras e de efeitos muitas vezes irreversíveis. Resta que as instituições, as empresas, este mundo de permanentes mudanças, o mundo da era digital reconheça, que é necessário fazer mais, muito mais, onde as necessidades de produtividade e de criação de riqueza, têm de ser acompanhados por medidas, que permitam mais justiça social e locais de trabalho banhados pelo bem-estar e conforto, acessíveis a todos os trabalhadores, a criação de uma matriz, fundada numa economia consciente, uma economia de segurança, uma economia verde, de partilha e de cultura social, com dimensão humana. Trabalhar é vida. Tem de ser vida. Eng. José Manuel Mendes Delgado ×Mestre emengenharia civil × Especialista emconstrução e segurança. × Docente no ISECLisboa, emengenharia de segurança e emengenharia de construção e reabilitação × Presidente SRSUL daOrdemdos Engenheiros Técnicos 2025
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