Magazine Risco Zero N.º 33
Referências bibliográficas: 1. Daraiseh, N. M., Smith, C. A., & Liu, D. (2025). Return on investment of sit stand interventions: A longitudinal study in the financial sector. Journal of Occupatio- nal Health, 67(2), 101–110. 2. European Agency for Safety and Health at Work. (2021). Sedentary work: Eviden- ce on an emerging risk. EU OSHA. https://osha.europa.eu 3. European Agency for Safety and Health at Work. Prolonged static sitting at work - Report, 2021. Prolonged_static_sitting_at_work.pdf 4. Gao, B., Chen, X., & Wang, Y. (2024). Occupational sitting time and metabolic health: A systematic review. Ergonomics, 67(3), 289–306. https://doi.org/10.1080 /00140139.2024 .000000 5. International Organization for Standardization. (2018). ISO 45001:2018 – Occu- pational health and safety management systems: Requirements with guidance for use. ISO. 6. International Organization for Standardization. (2021). ISO 45003:2021 – Psycho- logical health and safety at work: Guidelines for managing psychosocial risks. ISO. 7. National Institute for Occupational Safety and Health. (2017). Sedentary beha- viour and workplace health. U.S. Department of Health and Human Services. 8. Council of the European Communities. (1990). Directive 90/270/EEC on the mi- nimum safety and health requirements for work with display screen equipment. Official Journal of the European Communities. 9. Effectiveness of an intervention for reducing sitting time and improving health in office workers: three arm cluster randomised controlled trial. BMJ 2022; 378 doi: https://doi.org/10.1136/bmj-2021-069288 Dra. Paula Figueiredo Madaleno × Médica, Especialista emMedicina do Trabalho × Mestre em Saúde Ocupacional - Especialidade de Medicina do Trabalho × Directora Clínica - Consaúde Medicina no Trabalho /39 A digitalização dos ambientes laborais revolucionou as práticas de trabalho, trazendo inovações tecnológicas que aumentaram a eficiência e a flexibilidade organizacional. Contudo, essa transformação gerou novos riscos à saúde dos trabalhadores, em especial os associados ao trabalho sedentário prolongado, hoje um desafio central na gestão da saúde ocupacional. Estima-se que mais de 75% dos trabalhadores independentemente do setor económico, desde escritórios administrativos até áreas industriais e centros de controlo digitalizados permaneçam sentados por mais de duas horas ininterruptas ou mais de seis horas por turno, ultrapassando os limites definidos como sedentarismo laboral prolongado. A inactividade e a postura estática resultantes aumentam as lesões músculo-esqueléticas: dores lombares (49%), cervicais (46%) e nos ombros (35%). Além disso, cada 2 horas adicionais sentado aumentam em 5 % o risco de obesidade, em 7 % o de diabetes tipo 2 e em até 34 % o risco de mortalidade cardiovascular. A Organização Mundial da Saúde alerta ainda para impactos na saúde mental, como ansiedade e depressão, riscos que persistem mesmo entre trabalhadores fisicamente ativos. A ergonomia, alicerçada nas normas ISO 45001:2018, ISO 45003:2021 e na Diretiva 90/270/CEE, apresenta-se como solução para adaptar o trabalho às características dos trabalhadores, promovendo bem-estar e produtividade. Após a avaliação de riscos, as intervenções devem respeitar a hierarquia da prevenção — da eliminação às medidas organizacionais e formativas. No ambiente físico destacam-se o mobiliário ajustável (secretárias, cadeiras com suporte lombar e monitores reguláveis). Na organização do trabalho incluem-se alternância de tarefas, pausas programadas e programas de bem-estar, como ginástica laboral e formação ergonómica. Essas medidas, no entanto, só ganham vida com o envolvimento dos próprios trabalhadores. Campanhas de sensibilização são essenciais para promover boas práticas individuais: ajustar o posto de trabalho, efectuar pausas regulares seguindo a regra 20-8-2 (20 minutos sentado activamente, 8 de pé, 2 em movimento a cada 30 minutos) e incorporar movimentos frequentes ao longo do dia. Empresas que adoptaram estas práticas registaram reduções de 27 % nas licenças por lombalgia, poupanças de 540 dólares americanos por colaborador/ano e melhoria de 15 % na satisfação no trabalho. Em linhas de montagem, pausas activas reduziram em 12 % as falhas críticas de processo, evidência de que ergonomia protege tanto pessoas quanto resultados. Numa era em que a digitalização avança rapidamente, “sentar menos e movimentar-se mais” deve ser uma prioridade nos programas de saúde ocupacional. Integrar boas práticas ergonómicas aos sistemas de gestão, como o ISO 45001, monitorar indicadores de saúde e produtividade e fomentar uma cultura de prevenção são estratégias que vão além da conformidade legal. Ergonomia não é um custo, mas um investimento chave para ambientes de trabalho mais saudáveis, seguros e produtivos — e para a competitividade das empresas na era digital.
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