Magazine Risco Zero N.º 32
/69 Dra. Diana Ferreira × Consultora externa de ESG para a NWA × Responsável de Qualidade e Sustentabilidade da Box4 É o caso dos fenómenos meteorológicos mais extremos, como vagas de calor, vagas de frio, tempestades e inundações causados pelas alterações climáticas. Estes fenómenos podem aumentar os riscos profissionais, por exemplo, os trabalhadores ao ar livre podem enfrentar um maior risco de insolação durante as vagas de calor ou de lesões durante fenómenos meteorológicos extremos. O aumento das temperaturas pode levar ao stress térmico e à má qualidade do ar devido a incêndios florestais, assim como a poluição pode agravar as doenças respiratórias. Àmedida que o climamuda certos sectores de atividade podem também ter a necessidade de adaptar os seus ambientes de trabalho. É o caso de sectores como a agricultura, a construção e a pesca, os quais podem enfrentar novos desafios de segurança devido à alteração dos padrões climáticos e das condições ambientais. As catástrofes naturais têm tendência a tornarem-se mais graves e mais frequentes, exigindo às organizações a melhoria dos seus planos de preparação e resposta a emergências, como é o caso dos planos de evacuação, cuidados médicos de emergência e recuperação de desastres para garantir a segurança dos trabalhadores. As alterações climáticas podem contribuir para os riscos psicossociais no trabalho, como o stress ou a ansiedade relacionados com a preocupação relativa aos meios de subsistência futuros, em especial nas indústrias sens veis ao clima. As organizações podem ter a necessidade de, no futuro, começar a apostar emprogramas de formação que transmitam, aos seus colaboradores, os desafios e mudanças relacionados com o clima, assegurando que compreendem a natureza evolutiva dos riscos relacionados e as suas responsabilidades. As organizações que não tomarem medidas adequadas para combater ou se adaptarem às alterações climáticas podem sofrer danos na sua reputação, o que pode ter um impacto direto na fidelidade dos clientes, no valor da marca e na facilidade de contratação de novos recursos humanos mais sens veis a estas temáticas. A questão climática pode também ter um impacto financeiro de maior ou menor gravidade nas organizações, seja pela perda de clientes, de colaboradores, no aumento dos custos de alguns serviços ou produtos e na necessidade de investir em soluções que previnam os riscos associados, como o desenvolvimento de novos produtos ou serviços, melhorias de eficiência ou alterações que permitam o acesso a novos mercados. Em termos de custos temos o exemplo do aumento dos prémios de seguro associados a calamidades naturais. Para as organizações com ativos f sicos significativos, ou para as que operam em zonas de alto risco, isto pode representar um encargo financeiro substancial. Desta forma, podemos concluir que as alterações climáticas devem ser consideradas um tema relevante para todas as organizações, quer por questões de segurança e saúde no trabalho, quer em termos de planeamento estratégico a longo prazo com vista à sustentabilidade da empresa.
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