Magazine Risco Zero nº29

magazine risco zero Dr. Telmo dos Santos ARTIGO TÉCNICO A sinistralidade rodoviária continua sendo um grande mal de saúde e segurança pública em todo mundo, com dados estatísticos e consequências danosas para as pessoas, as famílias, as sociedades e as economias em vários países. A PROBLEMÁTICA DA SINISTRALIDADE RODOVIÁRIA Nesta primeira edição de 2024, importa fazer uma incursão sobre os dados de sinistralidade rodoviária no mundo e em Angola, para que, com base nos números, possamos perceber a gravidade da situação e todos juntos, pudermos fazer a nossa parte no combate as mortes nas estradas. De acordo com o último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) de Dezembro de 2023, o número anual de mortes caiu ligeiramente para 1.19 milhões por ano, com mais de 2 mortes por minuto e mais 3.200 por dia, sendo a principal causa de morte de crianças e jovens com idades compreendidas entre os 5 e os 29 anos de idade. Apesar da diminuição global de 5% desde 2010, a problemática da sinistralidade rodoviária é ainda uma crise de saúde mundial persistente, com peões, ciclistas e outros utentes das estradas vulneráveis, representando um risco agudo e crescente de morte. Segundo o Director Geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, ‘a carnificina em nossas estradas é evitável’, por isso, apela a todos os países para que coloquem as pessoas, em vez dos carros, no centro dos seus sistemas de transporte e garantem a segurança dos peões, ciclistas e outros utentes vulneráveis da estrada. Países com índice de sucesso na redução da sinistralidade rodoviária entre 2010 e 2021, entre eles, 108 Estados membros da Organização das Nações Unidades (ONU), com uma redução de 50%, como a Bielorrússia, Brunei Darussalam, Dinamarca, Japão, Noruega, Federação Russa, Trinidad e Tobago, Emirados Árabes Unidos e Venezuela, sendo que mais 35 países conseguiram reduzir as mortes em 30% a 50%. O relatório mostra ainda que 28% das mortes globais no trãnsito ocorreram na região do Sudeste Asiático, 25% na Região do Pacífico Ocidental, 19% na Região Africana, 12% na Região das Américas, 11% na Região Oriental Mediterrânica e 5% na Região Europeia. 9 em cada 10 mortes aconteceram em países de baixo e médio rendimento, e as mortes nestes países são desaproporcionalmente mais elevados quando comparadas com o número de viaturas e estradas que possuem. Nestes países, o risco de morte é 3 vezes maior do que nos países de elevado redimento, quando os país de baixo desenvolvimento possuem apenas 1% dos veículos motorizados do mundo. 53% de todas as mortes no trânsito são de usuários vulneráveis da estrada, incluindo: peões (23%); condutores de veículos motorizados de 2 e 3 rodas, como motociclistas (21%), ciclistas (6%) e usuários de dispositivos de micromobilidade, como e-scooters (3%). As mortes entre ocupantes de automóveis e outros veículos leves de 4 rodas caíram ligeiramente para 30% das mortes globais. “Nossa missão na Bloomberg Philanthropies é salvar e melhorar o maior número de vidas possível, e uma das melhores maneiras de fazer isso é tornar mais estradas do mundo seguras para todos”, disse Michael R. Bloomberg, fundador da Bloomberg LP e Bloomberg Philanthropies e Embaixador Global da OMS para Doenças e Lesões Não Transmissíveis, que também escreveu um prefácio para o relatório. “Há mais de uma década, temos feito progressos encorajadores juntamente com a Organização Mundial da Saúde e os nossos parceiros. Ainda assim, como este novo relatório deixa claro, a segurança rodoviária exige compromissos mais fortes por parte dos governos em todo o mundo – e continuaremos a instar mais líderes a tomarem medidas para salvar vidas.” As mortes de peões aumentaram 3%, para 274.000, entre 2010 e 2021, representando 23% das mortes globais. As mortes entre ciclistas aumentaram quase 20%, para 71.000, representando 6% das mortes globais. Entretanto, estudos indicam que 80% das estradas do mundo não cumprem as normas de segurança dos peões e apenas 0,2% têm ciclovias, deixando estes utentes da estrada perigosamente expostos. E, embora 9 em cada 10 pessoas inquiridas se identifiquem como peões, apenas ¼ dos países têm políticas para promover caminhadas, ciclismo e transportes públicos.

RkJQdWJsaXNoZXIy MjA1NDA=