Magazine Risco Zero nº29

/45 2. Reconhecer o afogado e pedir ajuda Reconhecer os sinais de uma situação de afogamento permite ao socorrista uma rápida intervenção, aumentando a probabilidade de sucesso nas técnicas de salvamento. Alguns dos sinais são a dificuldade em manter o corpo à superfície, com a cabeça submergindo e emergindo, enquanto o corpo mantem-se na vertical e os braços esticados a bater na água. Como a pessoa entra em dificuldade respiratória, não consegue chamar por socorro, passando despercebido para os presentes no local. Emoutras situações, o corpo desaparece inesperadamente debaixo de água ficando fora de vista. Perante estes cenários, deve pedir ajuda imediata ligando para o 111 que é o contacto de emergência do Centro Integrado de Segurança Publica (CISP) no país. 3. Fornecer flutuação e evitar a submersão Antes de atuar, certifique que há condições de segurança para si e para a vítima. A SOBRASA desaconselha a entrada do socorrista na água, principalmente se for inexperiente. Estando a uma distância razoável, ajude a vítima a manter- se acima do nível da água atirando uma boia salva vida. Na ausência de equipamentos de flutuação, improvise estendendo um pau ou corda onde a vitima se possa agarrar, ajudando deste modo a parar o processo de submersão. No caso de ser a própria vitima tente manter-se calmo e focar- se em flutuar para não desperdiçar energias desnecessárias. Peça ajuda acenando o braço, em vez de gritar, pois é mais efetivo e menos desgastante. 4. Remover da água, se for seguro Como dito, deve evitar entrar na água para não se tornar também uma vítima. Muitos leigos afogam-se ao tentar socorrer outros em apuros. Porem, a vítima de afogamento deve ser levada para ambiente seco o mais rápido possível para iniciar as manobras de recuperação. Tente providenciar um equipamento onde a vítima se possa agarrar e ser puxada para terra firme. Se tiver que entrar na água para socorre a vítima, lembre-se de retirar roupa e sapatos e assegurar que leva consigo uma prancha ou outro equipamento que ajudar a flutuar. 5. Suporte de vida e hospitalização senecessário Sempre que possível e seguro para o socorrista, o suporte básico de vida deve começar antes de retirar a vítima da água. Se a vitima estiver inconsciente, ventilar Enf. Ana Carolina Pinto × Licenciatura em Enfermagem pela St Bartholomew's School of Nursing, Londres × Pós graduação emEnfermagemTropical pela London School of Hygiene andMedicine, Londres × Formada em ACLS e BLS acreditado pela AHA desde 2017 × Enfermeira coordenadora na NWA imediatamente com 10 ventilações boca-a boca, para dar uma maior hipótese de sobrevivência sem danos cerebrais. Já em ambiente seco, não é prioritário retirar a água engolida dos pulmões. Tal ação pode provocar o vómito e obstrução das vias aéreas, impedindo a circulação do oxigénio. Foque-se em iniciar o suporte básico de vida (SBV) com as manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) de forma eficaz, até à chegada de suporte avançado de vida ou recuperação da vítima. A implementação destas manobras tem como objetivo gerar um fluxo de sangue que permita reduzir a falta de oxigénio no cérebro e restaurar a circulação espontânea, estando comprovado o seu sucesso na recuperação das vítimas. Havendo necessidade de assistência hospitalar, a vítima deve ser transferida o mais breve possível. Mesmo que pareça estar bem, é recomendado que todas as pessoas "que quase se afogaram" e foram resgatadas com sucesso sejam encaminhadas para uma avaliação medica. Em resumo o afogamento é um incidente grave que pode causar alterações fisiológicas críticas, incluindo a morte, sem uma assistência rápida. É essencial que nas indústrias onde se trabalha em ambiente aquático, os técnicos de segurança tenham conhecimento desta cadeia de sobrevivência, complementando a sua formação com um curso de SBV e primeiros socorros, para que estejam capacitados em prestar um melhor auxilio aos seus colegas, aumentando assim a hipótese de sobrevivência das vítimas.

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