Magazine Risco Zero nº26

/51 A nossa opção pelas ciências policiais e criminais, dentro do tema geral acima descrito, insere-se na difusão que hoje se impõe a esta formação que, iniciada no exterior do país, apenas em ciências policiais, de forma isolada e com casos esporádicos nos anos 80, vem-se concretizando e expandindo desde o ano de 1995, tendo trazido à Angola os primeiros Licenciados em Ciências Policiais no ano de 2000 e daí não mais parado, iniciando alguns anos mais tarde a formação interna em ciências policiais e criminais a nível do ensino médio e, actualmente, a nível da licenciatura. Falar de formação é falar do acto que tem como resultado dar forma a alguém – pessoa ou pessoas – incutindo-lhe conteúdos e experiências que lhe permitirão saber pensar, saber agir e/ou saber fazer ou é, ainda, o acto de constituir algo. Na educação da pessoa, a formação é todo aquele processo pelo qual ela passa, com ênfase ao modo como ela é educada, ou seja, criada e tratada desde o seu nascimento, sua infância, adolescência e fase adulta. Constitui o leque de conhecimentos ou aprendizado que a pessoa adquire, recebendo de outrem ou de vivências, durante esse processo ou fases de crescimento e que varia consoante o soft skills de cada um. Em Angola, a formação resultante do ensino ou da educação é semelhante a existente noutras realidades, ou seja, formação básica, média, especial, superior e profissional ou tecnológica. A tipologia de formação pode incidir sobre graduações como «bacharelados e licenciaturas, cursos técnicos e profissionalizantes e diversas actividades que têm como escopo manter o profissional actualizado e capacitado para actuar no mercado» de emprego. A formação profissional, de forma mais específica, será constituída pelo grosso de actividades adquiridas através do conhecimento em virtude do aprendizado, das habilidades técnicas e conceituais, e atitudes que a pessoa, enquanto formando e/ou estudante, adquire e desenvolve durante todo o processo de formação. De modo mais especifico, é «o processo que busca transmitir competênciasaosindivíduoscomocapacidadesparamobilizar aptidões, conhecimentos e atitudes». Tornando-se possível, através desse processo, exercer-se uma ou mais profissões de forma cabal, plena e eficiente. Podendo classificar-se em formação inicial, contínua e de dupla certificação (escolar e profissional). Em 1975 a OIT (Organização Internacional do Trabalho), atravésda recomendaçãon.º 150, «“consideravaquea formaço profissional visa identificar e desenvolver aptidoes humanas, tendo em vista uma vida activa produtiva e satisfatoria e, em ligaço com diversas formas de educaço, melhorar as faculdades dos individuos compreenderem as condiçes de trabalho e omeio social e de influenciarem estes, individual ou colectivamente”, nesse mesmo documento salienta-se ainda que “a formaço profissional de cada pais deve responder as necessidades dos adolescentes e adultos ao longo da sua vida, em todos os sectores da economia e a todos os niveis de qualificaço profissional e de responsabilidade». A necessidade e importância da formação profissional na vida hodierna das pessoas vê-se no dia-a-dia, reflecte-se nas suas vidas e das suas famílias, e espelha-se na sociedade em que estão inseridas. A formação profissional, sendo a formação que permite exercer actividades profissionais, reparte-se em formação convencional ou cientifica, mais abrangente e diversificada, e em formação técnica, em sentido mais restrito, directo e prático, sendo maiores neste tipo de formação as hipóteses de empregos. A formação profissional envolve, grossomodo, trêsmomentos, o da aprendizagem ou formação teórica, o da execução prática ou ensaio do aprendizado, ou seja, o de aquisição de habilidades e atitudes por via do exercício – aprender fazer fazendo –, e o momento da vivência profissional. «O processo de formação profissional é construído constantemente com base no que se é aprendido, aplicado, executado e no resultado final (...)» . Não se pode falar exactamente em etapas numa formação profissional, pois ela depende das capacidades, empenho, progresso e evolução de cada pessoa, sendo que a teoria e a prática serão imprescindivelmente os dois processos fundamentais. Quanto à importância e necessidade, a formação profissional representa uma mais valia no saber fazer e com isso formata a pessoa para uma carreira coroada de êxitos dentro de certa profissão, transformando vidas, de modo geral, e contribuindo fortemente na obtenção de emprego, na melhoria do viver e das condições de vivência social do profissional e dos seus próximos. Questão muito discutível hoje tem a ver com a qualidade da formação e com a qualidade resultante da formação. Facilmente se avalia a qualidade da formação tendo em atenção os seu conteúdos, suas acções práticas e formadores. O desempenho ou entrega pessoal, agregado ao soft skills, determinam o resultado da formação. Ainda na senda da qualidade da formação, a afirmação de António Sampaio da Nevoa ao Jornal de Noticias de Portugal, de que, «segundo a UNESCO, no mundo, metade dos alunos terminam a escola sem terem aprendido praticamente nada», resulta em nosso entender, da conjugação de factores ligados a formação: características pessoais e entrega ou aplicação do formando ou aluno, conteúdos e metodologias de ensino (formas ou modos de administração), tempo de duração da formação e, de grande relevância, as qualidades e/ou qualificações dos formadores. A formação com qualidade repercute-se

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