Magazine Risco Zero nº26
magazine risco zero Dr. Telmo dos Santos ARTIGO TÉCNICO Angola registou em 2022 um total de 13.360 acidentes rodoviários, um aumento de 1.000 acidentes em comparação com 2021 e uma taxa de feridos e mortos ainda considerável. Na União Europeia, as mortes das estradas cresceram 3% no último ano, provocando dor e luto em muitas famílias, e infelizmente, esta é a dura realidade em quase todo mundo. IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO NA QUALIDADE DA CONDUÇÃO E SEGURANÇA RODOVIÁRIA Como todos bem sabemos, a condução é em si uma actividade de elevado risco e acarreta uma estatística manifestamente grave e preocupante em todo mundo. Seguramente, reconhecemos os enormes esforços feitos nesta matéria, focado nos 3 elementos do triângulo da segurança rodoviária, que é enriquecido grandemente pelo avanço tecnológico da indústria automóvel, com particular foco nos mecanismos de segurança nas viaturas, os investimentos em estradas e vias de comunicação cada vez mais modernas, sinalizadas e iluminadas, e naturalmente, os investimentos com o factor humano, como o elemento mais crítico nesta equação. A frase de Derek Bok desafia ao dizer que ‘se acredita que a formação é cara, experimente a ignorância’, não apenas por concordar com esse pensamento, mas essencialmente pela grandiosa verdade que isso carrega, sendo que o tempo se tem encarregado de provar exactamente isso. Remete-nos à importância e ao impacto da formação, de qualidade, para a melhoria da segurança rodoviária. Ou seja, o ecossistema em torno do factor humano como a educação, atitude, comportamento, cultura, maneira de ser e estar no trânsito, e que representa uma séria aposta para a segurança rodoviária em todo mundo, deve ser de forma regular, sistemática e consistente, de modo a garantir que apenas as pessoas habilitadas manuseiem veículos automóveis, com a plena consciência dos perigos, do nível de risco e das consequentes medidas de controlo para reduzir os acidentes rodoviários nas estradas de todo mundo. As 3 dimensões do saber: ‘saber ser, saber saber e saber fazer’ devem ser um estratégico aliado da segurança rodoviária, na medida em que quanto mais o condutor souber e for formado na matéria, não apenas da mecânica do carro e nem da dinâmica na via pública, mas sobre os perigos da condução e for adequadamente preparado para os contornar e ter sempre uma condução segura, melhor será. E neste quesito, incluímos também o passageiro, o co-piloto, os peões e demais utentes da via pública, que como actores no ecossistema rodoviário, são potenciais contribuidores a segurança ou insegurança rodoviária. A formação oferece uma componente de passagem de informação, avaliação, acreditação e melhoria contínua, sendo para o efeito, que estas bases devem estar bem sólidas e fortificadas para que se consiga gerir o risco rodoviário, por meio de uma condução segura e dos nobres princípios da cortesia e educação no trânsito, que muita falta nos fazem. As escolas de condução são fundamentais no processo de educação para o trânsito, mas penso que devia existir formações complementares obrigatórias como condução defensiva, cortesia e segurança rodoviária, emergências e combate a incêndio do trânsito, com vista a promover uma cultura de capacitação complementar obrigatória, constante e permanente, como uma importante medida de gestão do risco rodoviário atendendo a demanda e as necessidades impostas pelos tempos modernos e cada mais corridos, sendo a componente da gestão do factor humano a mais privilegiada. A problemática da sinistralidade rodoviária em Angola é essencialmente uma questão de educação, formação e disciplinano trânsito, que revela, até certoponto, asdebilidades
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