Magazine Risco Zero nº25

magazine risco zero Dr. Telmo dos Santos ARTIGO TÉCNICO O primeiro caso de morte por atropelamento registrado no mundo foi em 1869, quando a ideia desse meio de transporte era bastante inovadora, apesar das condições precárias, como estradas que na maioria dos casos não eram preparadas para veículos automóveis. IMPORTÂNCIA DA LITERACIA RODOVIÁRIA NA INFÂNCIA Desde então, foram feitos grandes e consideráveis avanços tecnológicos na indústria automóvel, no digital e inovação, bem como nas vias de comunicação em todo mundo, com os diferentes elementos da via pública, como: • Passeios; • Viadutos; • Bermas; • Vias de aceleração; • Corredor de circulação; • Zonas de estacionamento; • Ciclovias; • Dispositivos de segurança; • Sinais de trânsito; • Passagem de nível; • Pedonais, etc, etc. Estes dispositivos têm o nobre objectivo de garantir cada vez mais padrões de segurança rodoviária mais rigorosos e aceitáveis. Ora, na via pública coabitam inúmeros actores humanos, como motoristas, condutores, peões, motociclistas, ciclistas, e até em alguns casos, animais. No triângulo da segurança rodoviária (homem, via pública e viatura), o factor humano é o único elemento que tem vida, pensa, raciocina e tem livre arbítrio, logo a maior responsabilidade recai sobre o mesmo, na medida em que pode ver, agir e reagir convenientemente e em segurança para garantir a prevenção de acidentes rodoviários, por isso, deve ser submetido desde a tenra idade ao processo da segurança rodoviária, na vertente de literacia, comportamento e atitudes que concorram para ser um bom peão, um exemplar condutor, um exímio motorista, motociclista e ciclista, se for o caso, desde os anos da formação da personalidade e expostas a estímulos e experiências positivas e seguras na estrada. Desde a tenra idade, os pais devem apostar na educação para a segurança rodoviária, na cultura de prevenção de acidentes, na cortesia e educação no trânsito, na colaboração entre condutores, na aposta de peões seguros e de utentes responsáveis, bondosos e cordiais. Como disse Pitágoras, ‘educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos’, evidenciando a importância de educar e moldar a consciência, a personalidade e as atitudes desde a tenra idade. Vivemos numa sociedade onde os utentes da via pública revelam comportamentos e atitudes que demonstram problemas de base, de educação e formação rodoviária. As matérias de trânsito e segurança rodoviária devem ser parte integrante do programa de educação primário, versado nos comportamentos e atitudes seguras enquanto peão, passageiro, co-piloto e automobilista. Todos os dias registam-se de 8 a 10 mortes nas estradas, uma estatística absolutamente perigosa e preocupante e com danos irreparáveis para a nossa economia e as famílias. Chefes de família e pilares estruturantes se vão, filhos e dependentes ficam desamparados, sonhos são desfeitos, objectivos são mortos, metas são adiadas, famílias são desfeitas, danos materiais irreparáveis, sentimentos de culta que duram toda uma vida, traumas que não se curam, sons mortíferos que se prolongam no tempo, lágrimas que deixam de correr no rosto e passam a correr no coração e arrependimentos amargos que se prolongam no tempo e no espaço, são apenas algumas das questões que muitas vezes não entram na equação dos danos e consequências dos acidentes rodoviários, mas que são mais profundas e impactantes e que o tempo não apaga. A educação faz lei na cabeça dos pequenos, a lei faz hábito,

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