Magazine Risco Zero nº24
Professor Doutor António Jorge Ferreira ARTIGO PROFISSIONAL A IMPORTÂNCIA DOS DADOS ESTATÍSTICOS EM SAÚDE OCUPACIONAL Num Mundo em constante mudança, só o conhecimento e a informação sustentam a correta tomada de decisões. Naturalmente, a área da Saúde Ocupacional necessita de uma adequada e permanente produção de dados estatísticos e epidemiológicos que possam ser regularmente interpretados pelos distintos elementos desta área, que é verdadeiramente multidisciplinar. magazine risco zero Segundo a Organização Internacional do Trabalho (ILO) “As estatísticas sobre doenças e lesões profissionais são essenciais para avaliar até que ponto os trabalhadores estão protegidos dos perigos e riscos relacionados com o trabalho. A este respeito, os indicadores sobre acidentes de trabalho são complementares aos das inspeções do trabalho, dado que estes são um dos principais mecanismos de controlo da segurança no trabalho (…) e permitem aos governos observar as tendências dos mercados de trabalho e analisar melhor as questões de compliance”1. A importância da Segurança e Saúde no Trabalho foi naturalmente reconhecida na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, através de um apelo universal à ação para acabar com a pobreza, proteger o planeta e promover um desenvolvimento sustentável universal, através dos objetivos adotados por todos os Estados membros da ONU em 2015(1). De forma óbvia, a própria Pandemia COVID-19 veio fortalecer a importância das boas práticas em Saúde Ocupacional, naturalmente relacionadas com um risco muito palpável e próximo entre todos aqueles que lidaram e lidam regularmente com o vírus SARS COV 2 e suas variantes, em múltiplos ambientes e circunstâncias laborais, nomeadamente na área da Saúde, mas não só. De acordo comaOIT, as últimas estimativas globais disponíveis indicam que mais de 2,78 milhões de trabalhadores em todo o mundo morrem por ano em consequência de acidentes ou doenças profissionais, e ocorrem cerca de 374 milhões de lesões não fatais relacionadas com o trabalho1. Este custo humano é totalmente inaceitável e provavelmente subavaliado pelas próprias estatísticas, nomeadamente devido à falta de dados quantitativos válidos para diversas áreas mundiais, onde não existem estratégias e organismos que procedam à recolha sistematizada dos dados, de forma contínua.
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