Magazine Risco Zero nº22

Professor Doutor António Jorge Ferreira × Professor Auxiliar de Epidemiologia e Medicina Preventiva da Fa- culdade de Medicina da Universidade de Coimbra. × Especialista em Medicina do Trabalho. Especialista em Pneumo- logia. Assistente hospitalar graduado de Pneumologia do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (Hospitais da Universidade de Coimbra), onde é responsável pela consulta de Doenças Respirató- rias Profissionais desde 2004. × Mestre em Saúde Ocupacional e Doutorado em Medicina Preven- tiva e Comunitária pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, onde é atualmente coordenador do Curso de Pós-gradua- ção em Medicina do Trabalho e do Mestrado em Saúde Ocupacio- nal.” × Diretor do Gabinete de Estudos Avançados da Faculdade de Medi- cina da Universidade de Coimbra a sua estimativa: métodos baseados na produção, estudos de produtividade em unidades naturais, a abordagem do capital humano (Human Capital Approach), a abordagem dos custos de fricção (Friction Cost Approach), a abordagem US Panel, a abordagem multiplicadora e a análise das despesas de compensação dos trabalhadores [1]. Foi observada uma grande heterogeneidade na medição da produtividade e métodos de avaliação/monitorização, grandes diferenças na precisão da implementação de cada método, comparabilidade limitada entre estudos, comunicação não transparente dos métodos utilizados, exclusão de relevantes dimensões de custo relacionadas com absentismo e presenteísmo e análises de sensibilidade limitadas nas estimativas apresentadas [1]. A título de exemplo, para que se possa compreender a complexidade da metodologia destes cálculos, o método do capital humano toma a perspectiva do trabalhador doente ou sinistrado e conta qualquer hora não trabalhada como uma hora perdida. Pelo contrário, o método Friction Cost Approach toma a perspectiva do empregador e só conta como perdidas essas horas não trabalhadas até que outro trabalhador assuma o trabalho do trabalhador doente ou sinistrado. Ambos os métodos podem produzir resultados muito diferentes [2]. Uegaki et al. [3] efectuaram uma extensa revisão da literatura internacional neste âmbito, tendo incluído um total de 34 estudos. Os custos de produtividade relacionados com a saúde foram estimados utilizando uma combinação de dados relacionados com licenças por doença e sinistro e também dados de presenteísmo. Os dados foram recolhidos de diferentes fontes (bases de dados administrativas, auto relatórios de trabalhadores e supervisores) e por diferentes métodos (questionários, entrevistas). Estes autores dão algumas sugestões extremamente válidas e universais para ajudar a melhorar a comparabilidade e a interpretabilidade das avaliações económicas das intervenções de SaúdeOcupacional na perspectiva empresarial, sugerindo inclusive a criação de uma task force internacional para desenvolver directrizes e recomendações padronizadas. Segundo estes autores, os cinco pontos/sugestões seguintes merecem particular atenção [3]: “ (i) Utilização de questionários padronizados para medir a produtividade relacionada com a saúde. (ii) Apresentação explícita dos métodos de medição e das 1 Steel J, Godderis L, Luyten J. Productivity estimation in economic evaluations of occupational health and safety interventions: a systematic review. Scand J Work Environ Health. 2018 Sep 1;44(5):458-474. 2 Van den Hout WB. The value of productivity: human-capital versus friction-cost method. Ann Rheum Dis. 2010 Jan;69 Suppl 1:i89-91. 3 Uegaki, K., de Bruijne, M. C., van der Beek, A. J., van Mechelen, W., & van Tulder, M. W. (2011). Economic evaluations of occupational health interventions from a company's perspective: a systematic review of methods to estimate the cost of health-related productivity loss. Journal of occupational rehabilitation, 21(1), 90–99. unidades de tempo da produtividade relacionada com a saúde. Isto significará desagregar a quantidade de trabalho perdido das bases de dados administrativas. Isto pode ser umdesafio ao utilizar os dados de compensação dos trabalhadores, contudo, a avaliação apenas dos custos pode ser enganadora, uma vez que os pagamentos dependem das jurisdições locais e das companhias de seguros. (iii) Apresentação explícita da composição e fonte dos custos e valores correspondentes que são utilizados para avaliar a produtividade relacionada com a saúde. (iv) Apresentação explícita dos efeitos adicionais incluídos na análise, bem como a racionalidade da inclusão destes efeitos. (v) Descrição clara do contexto sociopolítico em que cada avaliação tem lugar.” [3]. Vemos assim que é fundamental privilegiar uma abordagem multidisciplinar e integrada no que diz respeito à avaliação e interpretação dos ganhos em Saúde Ocupacional e da sua relação direta e indirecta com a melhoria sustentada da produtividade do trabalho. A especialidade de Medicina do Trabalho tem obviamente aqui umpapel ativo e essencial e que deve ser valorizado e promovido por todos os intervenientes neste âmbito ocupacional. /55

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