Magazine Risco Zero nº22

Dra. Isabel Ferreira × Psicóloga do Trabalho - EQS GLOBAL e transparência. A confiança age aqui como um ativo que se quer transversal à organização. É um espírito de confiança que aumenta a inspiração, reduz o medo e aumenta a comunicação e, consequentemente, o respeito pelas regras de saúde e segurança e, por fim, a produtividade. Para enfrentar a realidade da atividade, a melhor forma é ter ferramentas fiáveis de análise e um bom clima organizacional, para que a implementação de normas seja fluida e eficaz. Resumindo: boas condições de trabalho contribuem para um bom ambiente de trabalho e maior satisfação dos que trabalhamemconjunto para o sucesso organizacional. Damos aqui algumas pistas para a ação: 1. Procurar e seguir exemplos de boas práticas; 2. Recorrer a técnicos especializados na avaliação e gestão de riscos; 3. Fazer uma avaliaçãodos riscos localmente contextualizada e centrada na atividade real do trabalho; 4. Traçar objetivos de intervenção no pós-diagnóstico; 5. Informar e formar os trabalhadores, partilhando e divulgando as boas práticas; 6. Lembrar os 3 C’s: Comunicar, Consciencializar e Concretizar; 7. Planear, avaliar, agir, auditar e voltar ao início; 8. Disponibilizar as condições e equipamentos adequados ao teletrabalho, se for o caso; 9. Disponibilizar formação sobre a ergonomia do posto de trabalho; 10. Assegurar todos os EPI’s e condições de higiene coletivas nos locais de trabalho; 11. Estabelecer momentos durante a semana para verificar o bem-estar e as condições de trabalho, uma pausa mais ou menos formal, desde que seja um momento de transparência focado na saúde e segurança. /53 A análise e compreensão da atividade e do contexto em que se realiza é fulcral para identificar os fatores de risco e os de oportunidade de melhoria. Só fundamentada numa análise exaustiva das condições de trabalho se consegue eficazmente uma avaliação das consequências desejáveis e indesejáveis para, então, definir ações pragmáticas e direcionadas para mitigar os riscos e potenciar a atividade. A vigilância dos riscos de ocorrência de acidentes de trabalho e de doenças profissionais e melhoria contínua das condições de trabalho deve ser uma prioridade para qualquer organização. Assim, o aumento da produtividade e da competitividade das empresas passa, necessariamente, por uma intervenção no sentido da melhoria das condições de trabalho. A implementação de um sistema de gestão (ISO 9001, ISO 45001, ISO 14001) é amelhor forma de sistematizar princípios, estruturar recursos e práticas e assim garantir maior eficácia das medidas que promovem a saúde e bem-estar no trabalho e, assim, contribuírem para a melhoria dos resultados da organização. As múltiplas dimensões da qualidade do trabalho envolvem desde o ambiente físico, a intensidade do trabalho, o horário, a remuneração, mas também o ambiente social, a possibilidade de desenvolvimento de competência e autonomia, as perspetivas de futuro e de vida ativa. Estas dimensões associadas à saúde e bem-estar no trabalho, corroboram a importância da qualidade do trabalho para ter uma vida de qualidade. O enfoque deve ser dado, portanto de forma multidimensional: vigilância dos riscos psicossociais, a preservação da conciliação trabalho - vida fora do trabalho, gestão de carga de trabalho e criação de atividades que tragam significado para o trabalhador. Com um ambiente confortável todos estamos mais focados na atividade. Quando há promoção de iniciativas em prol do bem-estar no trabalho, há mecanismos essenciais de comunicação, consciencialização (informação, formação, participação e partilha) dos fatores de risco e medidas de prevenção e proteção e concretização (de dinâmicas seguras e bons resultados). Para que o sistema funcione e os resultados apareçamhá uma “ferramenta invisível” de gestão que não podemos descurar, principalmente em tempos de imprevisibilidade e disrupção das nossas formas de trabalhar e de estar em sociedade: a confiança. Confiar e oferecer confiança é a base de todos os relacionamentos, também a nível profissional: ajuda-nos a gerir a incerteza, a pedir e a partilhar informação e conselhos, a não deixar ninguém isolado. Enquanto gestores compete- nos estar atentos e promover a melhoria contínua das condições de trabalho, estabelecendo relações de confiança

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