Magazine Risco Zero nº21
Professor Doutor António Jorge Ferreira × Professor Auxiliar de Epidemiologia e Medicina Preventiva da Fa- culdade de Medicina da Universidade de Coimbra. × Especialista em Medicina do Trabalho. Especialista em Pneumo- logia. Assistente hospitalar graduado de Pneumologia do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (Hospitais da Universidade de Coimbra), onde é responsável pela consulta de Doenças Respirató- rias Profissionais desde 2004. × Mestre em Saúde Ocupacional e Doutorado em Medicina Preven- tiva e Comunitária pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, onde é atualmente coordenador do Curso de Pós-gradua- ção em Medicina do Trabalho e do Mestrado em Saúde Ocupacio- nal.” × Diretor do Gabinete de Estudos Avançados da Faculdade de Medi- cina da Universidade de Coimbra médicos, enfermeiros ou outros profissionais de saúde durante a sua atividade e que, para além das lesões imediatas, podem causar um grande número de resultados adversos, até de ordem psicológica (2). Pela sua grande importância, os acidentes de trabalho com agulhas ou outros equipamentos corto-perfurantes estão entre os riscos ocupacionais mais comuns nos profissionais de saúde à escala global e representamas fontes mais comuns de infeção destes profissionais. As complicações infeciosas relacionadas com a exposição ocupacional desta tipologia podem resultar em sérios problemas de saúde e são causadoras de grande ansiedade e stresse nos profissionais afetados (3). Segundo uma metanálise recentemente publicada (3), pelo menos 20 agentes patogénicos diferentes são transmitidos por esta via. Anualmente, centenas de milhares de profissionais de saúde estão sob alto risco de infeções relacionadas com o trabalho. O risco de infeções por picada varia de 0,2 a 0,5% para VIH, 3–10% para vírus hepatite C e 40% para vírus de hepatite B (3). É necessário, igualmente, prestar uma especial atenção aos riscos para os trabalhadores da Saúde nos países de baixo e médio rendimento, ondemuitas situações de graves exposições podem levar à doença emorte (4). Enquantonos países demaior rendimento têm já vindo a ser instituídas regularmentemedidas e normas de segurança para proteger os trabalhadores, as quais conseguiram, em grande parte, mitigar estes riscos, verifica-se que em alguns países de baixo e médio rendimento a saúde e segurança no trabalho é por vezes relegada para segundo plano, pelo que urge motivar essa mudança de paradigma (4). A investigação em saúde ocupacional tem demonstrado que o fornecimento de um ambiente de trabalho seguro aumenta o compromisso organizacional e a empregabilidade duradoura dos trabalhadores da Saúde (3). AFaculdade deMedicina da Universidade de Coimbra (FMUC) tem vindo, nas últimas quatro décadas, a promover formação contínua especializada neste âmbito a muitas profissionais de várias áreas, (mas onde destacamos naturalmente a área da Saúde), nomeadamente através da realização de múltiplas 1 Bielicki JA, Duval X, Gobat N, Goossens H, Koopmans M, Tacconelli E, et al. Monitoring approaches for health-care workers during the COVID-19 pandemic. The Lancet Infectious diseases. 2020;20(10):e261-e7. 2 Sun T, Gao L, Li F, Shi Y, Xie F, Wang J, et al. Workplace violence, psychological stress, sleep quality and subjective health in Chinese doctors: a large cross- sectional study. BMJ open. 2017;7(12):e017182. 3 Mengistu DA, Tolera ST, Demmu YM. Worldwide Prevalence of Occupational Exposure to Needle Stick Injury among Healthcare Workers: A Systematic Review and Meta-Analysis. The Canadian journal of infectious diseases & medical microbiology = Journal canadien des maladies infectieuses et de la microbiologie medicale. 2021;2021:9019534. 4 Rai R, El-Zaemey S, Dorji N, Rai BD, Fritschi L. Exposure to Occupational Hazards among Health Care Workers in Low- and Middle-Income Countries: A Scoping Review. International journal of environmental research and public health. 2021;18(5). edições do Curso de Pós-graduação em Medicina do Trabalho e doMestrado emSaúdeOcupacional. A sua frequência regular por profissionais provenientes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é muito enriquecedora para todos, através da troca de experiência e conhecimentos. Por outro lado, destacamos, também, o papel da FMUC na investigação dos riscos ocupacionais em profissionais de Saúde, nomeadamente através da realização de várias dissertações de Mestrado nesta temática, que podem ser consultadas no Serviço Integrado de Bibliotecas da Universidade de Coimbra (uc.pt/sibuc ). /41
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MjA1NDA=