Magazine Risco Zero nº21

magazine risco zero Dra. Maria do Céu Canivete PRINCIPAIS RISCOS ASSOCIADOS AO AMBIENTE DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE ARTIGO PROFISSIONAL O trabalho, destinado a atender às necessidades de saúde do ser humano, é uma das formas mais anti- gas de trabalho social. O ambiente hospitalar apresenta especificidades no mundo do trabalho e ocupa um lugar de destaque no que concerne à tipologia e ao número de riscos ocupacionais. Segundo Uva et al. 1992, o trabalho em ambiente hospitalar é susceptível de causar danos para a saúde, tanto pela ocor- rência de acidentes de trabalho e doenças profissionais, como pela exposição frequente a situações de stress e de fadiga física e mental. De acordo com os dados da Administração Central do Siste- ma de Saúde (ACSS), em Portugal, os hospitais são as institui- ções onde ocorrem maior número de acidentes de trabalho. Segundo o relatório da mesma instituição (2007), o número de acidentes de trabalho ocorridos nas instituições de saúde tem vindo a aumentar, sendo os hospitais as instituições que apresentaram a taxa média de crescimento anual mais eleva- da. Pela natureza das suas funções, diariamente os profissionais de saúde encontram-se expostos a diversos riscos laborais, motivo pelo qual, devem ser considerados prioritários na abordagem dos Serviços de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho. FACTORES DE RISCOS PROFISSIONAIS NO SECTOR DA SAÚDE: Dos vários riscos a que os profissionais da saúde estão expos- tos no exercício das suas funções, destacam-se os seguintes: Riscos de natureza física: Surgem em virtude da exposição ao ruído e as vibrações pela utilização/existência de equipa- mentos ruidosos e transmissores de vibrações, em virtude da exposição a radiações ionizantes, associadas à utilização de equipamentos como RX e TAC e a existência de ilumina- ção em níveis inadequados. A exposição a estes riscos pode causar alteração na saúde, como a falta de sensibilidade e de controlo das mãos, tremura dos dedos, destruição de artérias e nervos, danos nos tendões e músculos, problemas hemato- lógicos, alterações do cristalino, efeitos mutagénicos, terato- génicos e lesões cancerígenas. Riscos de natureza química: está associado ao manuseamento de produtos químicos perigosos como às proteínas do látex e/ ou pó das luvas utilizadas como EPI, aos citostáticos, durante a preparação e/ou administração dos mesmos aos doentes, e aos desinfetantes e detergentes utilizados na limpeza e desin- feção de equipamentos e superfícies. A exposição a agentes químicos acarreta problemas para a saúde humana, tais como urticárias, dermatites de contacto alérgica, reações alérgicas sistémicas, lesões oculares graves, alergias respiratórias e cutâneas, queimaduras químicas, abortos espontâneos e ain- da ações mutagénicas, teratogénicas e carcinogénicas. Riscos de natureza biológica: surge em virtude da exposição a micro-organismos patogénicos ou a exposição acidental a material corto-perfurante contaminado, podendo causar doenças como as hepatites (B e C) e o VIH. Existe também o risco de exposição ao Bacilo de Koch, bem como a exposição ao vírus influenza, ambos associados ao contacto interpessoal com doentes ou portadores. A exposição aos riscos biológi- cos pode desencadear patologias como Hepatite B, Hepatite C, HIV/SIDA, Tuberculose e Gripe. Riscos de natureza ergonómica: estão relacionados com a movimentação manual de cargas durante o posicionamento e transferência de doentes, o transporte e arrumação de ma- terial, o trabalho repetitivo associado ao trabalho com Equipa- mentos Dotados de Visor durante a monitorização de doentes, inserção de dados e elaboração de documentos. Destacam-se ainda as posturas incorretas durante a realização de diversas atividades como o trabalho com computador, a prestação de cuidados aos doentes e a desadequação do mobiliário de tra- balho. A exposição aos riscos ergonómicos pode desencadear lesões músculo-esqueléticas, cansaço e fadiga precoce, dimi- nuição da concentração e acidentes de trabalho.

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