Magazine Risco Zero nº20
/23 Dados divulgados pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) apontam para que, em Portugal, os trabalhadores fal- tem, devido ao stresse e a problemas de saúde psicológica, até 6,2 dias por ano e que o presentismo possa ir até 12,4 dias. Esta perda de produtividade pode custar às empresas portu- guesas 3,2 mil milhões de euros por ano, só em custos diretos (números da OPP). Além do absentismo e do presentismo, o stresse e a falta de saúde psicológica nas organizações levam ainda à diminuição da motivação, desempenho e produtivida- de, a uma maior incidência de erros e acidentes de trabalho, conflitos e deterioração das relações com clientes. Um estu- do realizado pelo centro de investigação Yellowbrick, revela que 96% dos adultos entrevistados, entre os 23 e os 38 anos, sentem-se afetados pelo burnout no seu dia-a-dia; 60% sen- te exaustão física diariamente ou várias vezes por semana e 57% sente exaustão mental. O Mental Health at Work Report (2017) revela que 60% dos colaboradores experienciaram, no ano anterior, problemas de saúde psicológica devido ao tra- balho; e 31% foram diagnosticados com problemas de saúde psicológica como a Depressão e Ansiedade. A nível europeu, estima-se que os problemas de saúde psico- lógica tenham um impacto de 240 Biliões de euros por ano, sendo que destes, 136 biliões, se devem a custos da redução de produtividade (EU-OSHA 2014). No Reino Unido estima- -se que os problemas de saúde psicológica tenham um custo de 37,3 a 47,4 biliões de euros, sendo que cerca de metade é atribuível ao presentismo. Prevenir as causas do stresse ocupacional, intervir nos proble- mas de saúde psicológica e promover a saúde psicológica no local de trabalho traz benefícios claros às organizações e uma poupança enorme a nível económico. Estima-se que cada euro investido em programas de intervenção nos colaboradores com problemas de saúde psicológica, se traduza num aumen- to 5 vezes superior da produtividade. Um exemplo concreto desta melhoria é o caso do setor policial dos Países Baixos. O custo total das intervenções laborais nos riscos psicossociais ao longo de 4 anos foi calculado em 3 milhões de euros. Os resultados atingidos de diminuição dos riscos psicossociais levaram a uma redução do absentismo de 3%, permitindo pou- par 40 milhões de euros (EU-OSHA 2014). Face a estes números é por demais evidente que urge um maior foco das empresas na avaliação, prevenção e interven- ção nos riscos psicossociais, recomendação feita em 2019 pela OCDE que, inclusivamente, sugere a imposição da avaliação dos riscos psicossociais e da sua prevenção nas organizações. 2020 foi, provavelmente, o ano mais atípico já vivido por todos nós e 2021 não se mostra diferente. Por força da Pandemia COVID-19 toda a humanidade se viu forçada a adaptar o seu quotidiano. Um estudo da OMS refere que, em Outubro de 2020, 60% da população europeia sofria da designada Fadiga da Pandemia – sentimento de cansaço e de sobrecarga por nos mantermos constantemente preocupados e vigilantes, cumprindo as restrições impostas. Esta fadiga traduz-se numa maior impaciência e falta de motivação, em sentimentos de insegurança, medo e ansiedade em relação ao presente e ao futuro, podendo gerar ou agravar dificuldades e problemas de saúde psicológica, como a depressão, stresse ou ansiedade (OPP). Torna-se assim óbvio que o stresse e os problemas de saúde mental no contexto organizacional terão uma incidência ain- da maior nos próximos anos, trazendo uma importância cres- cente à temática dos Riscos Psicossociais em contexto organi- zacional. Trabalhadores que se sintam apoiados e valorizados pelas suas empresas nestes tempos tão difíceis, tenderão a apresentar níveis mais elevados de bem-estar, melhor desem- penho, concentração e motivação, maior compromisso e foco nos objetivos da organização. Cabe-nos a nós decisores, ges- tores, empresários, e em especial a nós psicólogos zelar pela implementação de ações regulares de avaliação dos riscos psicossociais, que permitam a caracterização do bem-estar e da saúde física e psicológica dos colaboradores, implementar planos de prevenção e intervenção nos riscos psicossociais à medida de cada contexto, levar a cabo iniciativas de promo- ção da saúde psicológica e do bem-estar no local de trabalho e desenvolver programas de formação e sensibilização para a temática dos riscos psicossociais e saúde psicológica. Todas as crises potenciam o desenvolvimento de novos pa- radigmas. Aproveitemos a tragédia vivida com a COVID-19, para potenciar o desenvolvimento de uma maior consciência para a importância de locais de trabalho mais felizes e saudá- veis e certamente teremos organizações mais produtivas. Dr. Alberto Vaz Guimarães × Psicólogo Especialista em Psicologia do Trabalho, Social e das Organizações pela OPP
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